A Prefeitura de Belo Horizonte projetou uma aceleração maciça no volume de investimentos físicos para 2027, com o foco orçamentário voltado para Saúde e Mobilidade Urbana. A proposta do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), analisada pelo Moon BH, reserva um total de R$ 1,457 bilhão para obras públicas na cidade — uma expansão global de 28,7% em relação ao montante de R$ 1,132 bilhão aprovado no orçamento anterior.
Os dados detalhados constam no Estudo Técnico nº 34/2026, elaborado pela Consultoria da Câmara Municipal, e desenham o cronograma de prioridades de infraestrutura do Executivo para o próximo exercício.
O salto na Saúde e o peso da Mobilidade
A maior expansão percentual dentro da peça orçamentária foi destinada à Saúde. A área saltou de uma previsão de R$ 21,88 milhões em 2026 para R$ 66,24 milhões em 2027. O aumento de 202,8% triplica a capacidade da secretaria para viabilizar construções de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), reformas de centros de saúde e intervenções no Hospital Metropolitano Odilon Behrens, projetos que também contam com apoio de financiamentos internacionais da CAF.
Em volume absoluto de dinheiro, a Mobilidade Urbana continua dominando as planilhas do município. O setor concentra R$ 471,8 milhões para 2027, um avanço de 55,1% sobre os R$ 304,3 milhões previstos no ano passado.
Essa dotação significa que praticamente um terço (32,4%) de todo o investimento em obras previsto para o próximo ano estará atrelado ao trânsito e ao transporte. A carteira de projetos dessa frente engloba as obras de priorização para o transporte coletivo (financiadas com R$ 139,4 milhões do Novo PAC), além da aquisição de veículos articulados e ônibus elétricos atrelados à renovação da frota.
Habitação, Sustentabilidade e Proteção Social

O restante do pacote bilionário de obras concentra-se na reestruturação física, social e ambiental das áreas mais vulneráveis da capital mineira:
Habitação, Urbanização e Regulação: A rubrica receberá R$ 433,1 milhões (alta de 28,1% em relação ao ano anterior), respondendo sozinha por 29,7% do bolo total de obras da cidade.
Como o Moon BH mostrou, a verba para habitação também teve um salto no Orçamento Participativo.
Sustentabilidade Ambiental: O setor tem previsão de R$ 403,3 milhões (27,7% do total), focados em projetos pesados de drenagem, recuperação de fundos de vale, saneamento integrado e contenção de eventos climáticos extremos.
Atendimento e Proteção Social: O bloco que financia a melhoria do atendimento ao cidadão saltou de R$ 15,5 milhões para R$ 23,6 milhões (alta de 52,2%), enquanto os recursos para obras em Proteção Social, Segurança Alimentar e Esportes chegaram a R$ 13,5 milhões (expansão de 51,6%).
O rito na Câmara Municipal
A alocação de R$ 1,45 bilhão representa o teto de autorização de gastos planejado pela Prefeitura, não necessariamente um planejamento de obras. A conversão da planilha em canteiros dependerá da arrecadação efetiva, do fluxo de repasses de convênios e do destravamento burocrático das licitações.
Antes de virar lei, o texto orçamentário passará pelo crivo da Câmara Municipal. Os vereadores debatem as prioridades do Executivo em audiências públicas nesta semana — a área da Saúde é o tema de discussão nesta quinta-feira (15), e a Mobilidade Urbana ganha destaque na sexta-feira (16) —, período em que os parlamentares podem apresentar emendas que alterem a distribuição final do caixa da cidade para 2027.


