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Debate da Globo ainda muda eleições? Em 2018 o terceiro lugar virou líder

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Existe um conceito nas campanhas políticas de que o único debate que realmente importa é o da TV Globo, pelo alcance e repercussão que garante. Os anteriores são tidos como treino. Essa é a visão dentro das campanhas, esclareço. Em Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) participou do primeiro, realizado pela Band Minas, e já saiu dele avisando que só voltaria em debates na “última semana”.

Se tradicionalmente a Band começa os encontros, a Globo termina. Só que em um cenário tão polarizado, em que o eleitor trata a política como futebol e escolhe um lado para torcer, será que debater ainda pode mudar voto? Em Minas temos um bom exemplo, quando o ex-governador, Romeu Zema (Novo), decolou.

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Tudo bem que 2018 foi um ano de grandes mudanças políticas no Brasil e marcou a ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo, mas até a última semana, Zema era um quase desconhecido e tentava ser uma improvável terceira via em uma polarização entre o então governador, Fernando Pimentel (PT) e o ex-governador, Antônio Anastasia (PSDB).

  • 28 de setembro de 2018 – Datafolha
  • Antonio Anastasia (PSDB): 33%
  • Fernando Pimentel (PT): 24%
  • Romeu Zema (Novo): 9%

O debate da Globo Minas aconteceu no dia 2 de outubro e foi o primeiro em que Zema foi convidado a comparecer. Como terceiro colocado, esteve presente por convite da emissora. Naquele dia, Zema chamou atenção do público e, no final, fez um aceno à Jair Bolsonaro, que concorria pelo PSL (virou Democratas, que virou União Brasil e hoje está em federação com o PP).

Nos dias seguintes, 3 e 4, o Datafolha fez uma nova rodada de pesquisa. O crescimento foi de 10% percentuais, dois dias após o debate.

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  • 6 de outubro de 2018 – Datafolha
  • Antonio Anastasia (PSDB): 32%
  • Fernando Pimentel (PT): 23%
  • Romeu Zema (Novo): 19%

A margem de erro era de 3 pontos. Então naquele recorte, Zema tinha entre 16% a 22%, enquanto Pimentel tinha entre 20% a 26%. A chance do empresário de Araxá tirar o então governador do segundo turno era real.

A tendência de crescimento medida pela pesquisa se confirmou nas urnas. Em votos válidos (naturalmente são mais expressivos que os da pesquisa, por que se exclui os brancos e nulos), Zema terminou com 42,75%, liderando o primeiro turno, contra 29,06% de Anastasia.

Não dá para atribui o crescimento do empresário apenas ao debate da Globo, já que o sentimento de renovação causado pela ascensão de Bolsonaro também contagiou Minas naquele ano. Mas dificilmente o candidato do Novo teria ganhado tanta exposição sem participar do encontro.

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Impacto não se mostrou grande nos anos seguintes

Esse nível de impacto, contudo, provou-se excepcional. Nas eleições subsequentes, os confrontos finais não produziram solavancos parecidos. Em 2022, na disputa pelo governo, o Datafolha indicava Zema com 57% contra 34% de Alexandre Kalil na semana final. O debate aconteceu, mas os números nas urnas confirmaram as pesquisas de véspera, com Zema reeleito no primeiro turno sem sobressaltos.

Um padrão de estabilidade idêntico foi observado nas eleições municipais de Belo Horizonte em 2024. Antes do debate final, Fuad Noman aparecia com 54% dos votos válidos contra 46% de Bruno Engler. Após o confronto televisivo, a sondagem final marcou 53% a 47%, e o resultado das urnas acompanhou essa estabilidade.

Apesar desses contraexemplos recentes, o fantasma de 2018 sobrevive nos comitês políticos mineiros e na cabeça do próprio Zema, que vem repetindo que o eleitor só deverá prestar atenção nas candidaturas na semana final.

Mas não dá pra deixar de observar que Augusto Cury só se tornou o terceiro colocado nas pesquisas deste ano justamente quando participou do debate da Band. Um encontro que, ironicamente, Zema faltou.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.