Na disputa pelo Palácio Tiradentes em 2026, o candidato do Partido Liberal (PL) ao Governo de Minas Gerais, o empresário Flávio Roscoe, tem sua paixão futebolística bem definida: ele é torcedor declarado do Cruzeiro. Roscoe compõe a bancada celeste da eleição, figurando como um dos três cruzeirenses entre os 11 nomes registrados para concorrer ao cargo máximo do Executivo estadual.
Um levantamento feito pelo Moon BH posiciona Roscoe no lado azul da capital ao lado de Ben Mendes (Missão) e Rafael Duda (PSTU). No mesmo tabuleiro esportivo das eleições, o rival Atlético Mineiro também reúne três candidatos (Patrus Ananias, Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo), enquanto o América aparece com dois representantes (o atual governador Mateus Simões e o Professor Túlio Lopes).
Apesar de carregar a bandeira do Cruzeiro na vida pessoal, a relação de Flávio Roscoe com os gramados ganhou uma dimensão institucional complexa ao longo dos anos em que presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). No comando da entidade, ele precisou atuar como um articulador neutro em um ecossistema econômico que reúne os principais investidores e cartolas dos três grandes clubes da capital.
Pedrinho e Rubens Menin juntos no palco da Fiemg
O episódio mais emblemático dessa convivência institucional ocorreu durante o evento Imersão Indústria de 2024, promovido pela Fiemg. Na ocasião, Roscoe viabilizou um encontro de peso ao colocar no mesmo palco Pedrinho BH, controlador da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro, e Rubens Menin, principal acionista da SAF do Atlético.
O debate teve como foco a profissionalização e a gestão corporativa no futebol moderno. Roscoe apontou publicamente que a injeção de capital e a visão empresarial dos dois industriais mudaram o patamar competitivo dos times mineiros, transformando o modelo de SAF em um vetor crucial para a economia do estado.
Para a Federação das Indústrias, a pauta extrapolava a rivalidade de arquibancada: a reestruturação dos clubes envolve aportes na casa das centenas de milhões de reais, com impactos diretos na construção civil, infraestrutura de estádios, logística, mídia, varejo e geração de empregos. Para o dirigente industrial, havia a particularidade de mediar a conversa entre o mandatário do clube rival e o líder da SAF do seu próprio time de coração.


