A campanha de Domingos Sávio (PL) ao Senado por Minas Gerais começou a corrida eleitoral de 2026 com o “tanque cheio”. Logo na largada oficial da disputa, o candidato já dispõe de praticamente todo o dinheiro que está autorizado a gastar no primeiro turno. Sávio declarou R$ 5,02 milhões em receitas à Justiça Eleitoral, um montante que equivale a 94,07% do limite máximo de despesas estipulado para o pleito.
A origem dessa injeção financeira chama ainda mais a atenção pela sua elevada concentração. Dos R$ 5,02 milhões registrados no painel oficial até esta segunda-feira (24), exatos R$ 5 milhões foram transferidos diretamente pela direção nacional do PL. Esse repasse partidário, sozinho, representa 99,6% de toda a arrecadação apresentada pela campanha até o momento.
A única outra contribuição que aparece no ranking de doadores é de Pablo Gontijo Resende, que aportou R$ 20 mil. O resultado prático é uma candidatura que vai às ruas com o caixa praticamente no limite, amparada quase que exclusivamente pela robusta estrutura financeira da sigla nacional.
Campanha a poucos passos do teto de R$ 5,33 milhões
Para as eleições deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu manter os mesmos valores aplicados no pleito de 2022. Com isso, o limite de gastos para uma candidatura ao Senado em Minas Gerais, restrito ao primeiro turno, foi fixado em R$ 5.336.641,85. Esse teto engloba as despesas diretamente contratadas pela candidatura, transferências financeiras para outros candidatos ou partidos e doações estimáveis em dinheiro.
Comparando a arrecadação com o limite legal, os R$ 5,02 milhões já recebidos correspondem a 94,07% do teto, restando uma diferença de apenas R$ 316.641,85.
No entanto, há uma distinção: os R$ 5,33 milhões representam um limite de gastos, e não um teto de arrecadação. Uma campanha pode, legalmente, arrecadar um valor superior ao que efetivamente vai utilizar durante a eleição (os recursos excedentes devem ser transferidos ao partido ao fim do pleito).
Portanto, Domingos Sávio não está impedido de receber mais dinheiro, mas a leitura correta é de que ele já garantiu 94% do caixa necessário para bancar o limite máximo de despesas permitidas na primeira fase.
Filho e suplente é o único doador pessoa física
Os R$ 20 mil que completam a receita atual vieram de Pablo Gontijo Resende, o único doador pessoa física da chapa até aqui. A ligação, contudo, é direta e familiar: além de ser filho do candidato, Pablo é o segundo suplente de Domingos Sávio. Engenheiro natural de Divinópolis, ele declarou R$ 710,7 mil em bens à Justiça Eleitoral. A chapa é completada por Braulio Braz, que ocupa a primeira suplência.
Até o momento, os dados oficiais não exibem uma pulverização de doações de empresários ou apoiadores privados. O desenho do financiamento é inverso ao modelo pulverizado: a direção nacional do PL sustenta e centraliza quase integralmente o balanço inicial da campanha.
Dinheiro no caixa e tempo de sobra na TV
O pesado investimento financeiro do Partido Liberal ocorre de forma sincronizada com a estratégia de exposição midiática da chapa. Domingos Sávio terá 1 minuto e 30,77 segundos por bloco no horário eleitoral gratuito — o terceiro maior tempo de TV da corrida mineira. Ele fica atrás apenas dos 1min42s compartilhados por Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), e dos quase 1min36s de Marcelo Aro (PP).
Além do tempo generoso, o candidato do PL foi sorteado para ser o primeiro a aparecer na abertura da propaganda destinada ao Senado. Dinheiro em caixa e ampla visibilidade na televisão já se consolidam como os ativos mais fortes da candidatura nesta arrancada.
O cenário nas pesquisas: 84% de indecisos no estado
A estrutura financeira de Domingos Sávio chega às ruas em um momento em que a corrida para o Senado segue amplamente indefinida. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21), o cenário estimulado traz Marília Campos com 11%, Carlos Viana com 8%, Domingos Sávio com 6% e Marcelo Aro com 5% (lembrando que, em 2026, cada eleitor mineiro poderá eleger até dois senadores).
O dado que mais evidencia o espaço para crescimento de todos os candidatos, porém, está na pesquisa espontânea: expressivos 84% dos entrevistados ainda não souberam citar um nome ao Senado.


