O que parecia um capítulo encerrado transformou-se em uma das maiores reviravoltas da eleição mineira de 2026. Na noite desta sexta-feira (7), Cleitinho Azevedo foi confirmado como candidato ao Governo de Minas Gerais pelo Republicanos. Ele terá Luís Eduardo Falcão como candidato a vice na chapa.
O anúncio oficial ocorreu na Praça do Santuário, em Divinópolis, sacramentando o recuo do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que havia vetado publicamente o nome do senador. No entanto, a surpresa maior da noite ficou por conta da inusitada composição no palanque: Cleitinho selou uma aliança política cruzada com Marcelo Aro, que trabalhará pela candidatura ao Palácio Tiradentes, enquanto o senador declarou apoio a Aro para o Senado.
O detalhe que torna o movimento surpreendente é o fato de Marcelo Aro pertencer à federação União Brasil-PP, grupo que formalmente já decidiu caminhar com Mateus Simões (PSD).
A aliança “cruzada” com Marcelo Aro
Na prática, a eleição mineira ganha um apoio mútuo que ignora e atravessa as coligações formais montadas pelas legendas partidárias.
Horas antes de o Republicanos bater o martelo sobre a chapa, Aro já havia feito um apelo público para que a direção nacional liberasse a candidatura de Cleitinho, classificando-o como o nome mais forte da direita em Minas. Com a reviravolta consolidada, o ex-secretário de Romeu Zema foi além e confirmou que trabalhará para eleger o senador.
O custo do perdão: as condições para Cleitinho voltar
A autorização da Executiva Nacional do Republicanos não saiu de graça. O senador precisou ceder em três frentes principais para recuperar a cabeça de chapa:
- Reconhecimento de erro: Segundo o partido, Cleitinho assumiu as falhas cometidas durante suas recentes e abruptas mudanças de posição e pediu desculpas formais às direções estadual e nacional, à população mineira e às lideranças envolvidas.
- Renúncia financeira: O senador assinou um compromisso de que não utilizará recursos do Fundo Eleitoral do Republicanos para financiar a sua campanha.
- Garantia de permanência: Assumiu o compromisso definitivo de levar a candidatura até as urnas, sem novas ameaças de desistência.
Além do aspecto disciplinar, a matemática falou mais alto. Dirigentes mineiros convenceram Marcos Pereira de que barrar Cleitinho seria um desastre para a legenda. A projeção interna é que a presença do senador no topo da chapa garanta a eleição de cinco a seis deputados federais, contra apenas dois ou três sem o seu nome para tracionar os votos.
Um nó na direita mineira
O retorno fulminante de Cleitinho Azevedo vira de cabeça para baixo o tabuleiro eleitoral. O movimento acontece logo após os demais partidos terem reorganizado suas estratégias, acreditando que o senador estava definitivamente fora do jogo.
O PL, por exemplo, preencheu a lacuna lançando o ex-presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ao governo. O próprio Marcelo Aro chegou a cogitar concorrer ao Palácio Tiradentes, mas havia desistido para “não dividir a direita”.
Com a reviravolta, a eleição volta a ter três candidaturas de peso disputando ferozmente o eleitorado conservador: Cleitinho Azevedo, Mateus Simões e Flávio Roscoe. Ciente da fragmentação, o próprio Cleitinho aproveitou o palanque em Divinópolis para convidar os partidos adversários (incluindo o PL) a reconsiderarem suas chapas.
O tempo para conversas e acordos, no entanto, é escasso: as coligações têm apenas até as 19h do dia 15 de agosto para registrar os pedidos definitivos na Justiça Eleitoral.


