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Minas Gerais nunca reelegeu um senador desde a Constituinte

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Minas Gerais chega às eleições de 2026 carregando um tabu que atravessa toda a vigência da Constituição de 1988: nenhum senador eleito pelo estado conseguiu emendar dois mandatos consecutivos. Em 2026, Carlos Viana tentará quebrar este tabu na política mineira, se vencer uma disputa dentro de seu partido para conseguir ser candidato.

A primeira eleição para o Senado realizada depois da promulgação da Constituição ocorreu em 1990. Desde então, sempre que uma cadeira mineira retornou às urnas, um novo nome foi escolhido. Já Itamar Franco, foi eleito senador em 1982 e voltou a vencer em 2010. Como houve um intervalo de 20 anos, durante o qual foi vice-presidente, presidente da República e governador de Minas, seu retorno não é considerado uma reeleição consecutiva.

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O histórico também confirma outro detalhe: nenhum suplente que assumiu uma cadeira mineira conseguiu posteriormente transformá-la em mandato próprio por meio do voto para o Senado.

Minas trocou de senador em todas as eleições

Quando a Constituição foi promulgada, Alfredo Campos e Ronan Tito ocupavam duas das cadeiras mineiras, após terem sido eleitos em 1986. Nenhum dos dois permaneceu no Senado depois da renovação de 1994, quando os vencedores foram Arlindo Porto e Francelino Pereira.

A sequência iniciada na primeira eleição pós-Constituição ficou assim:

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1990: Júnia Marise;
1994: Francelino Pereira e Arlindo Porto;
1998: José Alencar;
2002: Eduardo Azeredo e Hélio Costa;
2006: Eliseu Resende;
2010: Aécio Neves e Itamar Franco;
2014: Antonio Anastasia;
2018: Rodrigo Pacheco e Carlos Viana;
2022: Cleitinho.

Júnia Marise foi quem chegou mais claramente à eleição seguinte tentando permanecer. Eleita em 1990, disputou a reeleição em 1998, mas recebeu 2,49 milhões de votos e perdeu para José Alencar, que obteve 2,9 milhões.

Os demais titulares normalmente deixaram de tentar a continuidade porque mudaram de projeto, encerraram a carreira, faleceram ou disputaram outros cargos. José Alencar, por exemplo, abandonou o Senado ao ser eleito vice-presidente da República em 2002. Hélio Costa concorreu ao governo de Minas em 2010, enquanto Aécio Neves disputou uma cadeira na Câmara em 2018.

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Algum suplente conseguiu se eleger?

Também não. Minas teve diversos suplentes que exerceram o mandato por meses ou anos, mas nenhum deles venceu posteriormente uma eleição para senador.

Regina Assumpção substituiu Arlindo Porto entre 1996 e 1998, durante o período em que o titular comandou o Ministério da Agricultura. Ela não foi eleita para continuar no Senado.

Aelton Freitas assumiu a cadeira de José Alencar quando o titular virou vice-presidente. Em 2006, em vez de tentar o Senado, concorreu à Câmara dos Deputados e foi eleito deputado federal.

Wellington Salgado ocupou por quase cinco anos a vaga de Hélio Costa, que havia se licenciado para ser ministro das Comunicações. Em 2010, candidatou-se a deputado federal, recebeu pouco mais de 50 mil votos e não foi eleito.

Após a morte de Eliseu Resende, Clésio Andrade assumiu o mandato em 2011. Ele renunciou em 2014 por problemas de saúde e foi substituído por Antônio Aureliano. Nenhum dos dois venceu uma eleição ao Senado.

Zezé Perrella, suplente de Itamar Franco, ocupou a cadeira depois da morte do ex-presidente e permaneceu até 2019. Ele não concorreu ao Senado na eleição de 2018, vencida por Rodrigo Pacheco e Carlos Viana.

Alexandre Silveira chegou mais perto de quebrar a regra

Ministro Alexandre Silveira
Foto: Reprodução

O caso mais direto ocorreu em 2022. Alexandre Silveira era o primeiro suplente de Antonio Anastasia e assumiu definitivamente a cadeira quando o titular deixou o Senado para integrar o Tribunal de Contas da União.

Silveira tentou transformar a suplência em mandato próprio nas eleições daquele ano. Recebeu 3,67 milhões de votos, ou 35,79% dos válidos, mas perdeu para Cleitinho, que alcançou 4,26 milhões e 41,52%.

Carlos Viana sobre pressão

O histórico coloca pressão adicional sobre Carlos Viana. Eleito em 2018, o senador mantém o projeto de disputar um novo mandato em 2026. Caso vença, será o primeiro representante de Minas a conquistar uma reeleição consecutiva ao Senado desde a Constituição de 1988.

Viana ainda precisa ter a candidatura homologada e superar a disputa interna pela composição das chapas. Minas elegerá dois senadores neste ano, o que amplia o número de alianças e candidatos competitivos.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.