HomePolítica e PoderEduardo Cunha nega emendas irregulares e mira PF antes de disputar Minas

Eduardo Cunha nega emendas irregulares e mira PF antes de disputar Minas

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Eduardo Cunha passou a tratar a investigação sobre emendas parlamentares como uma disputa sobre o limite entre articulação política e exercício informal de mandato. O ex-presidente da Câmara, que pretende disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais em 2026, nega ter indicado emendas de forma irregular.

Segundo ele, foram feitos apenas pedidos a parlamentares com mandato. Cunha contesta a leitura da Polícia Federal de que teria atuado como uma espécie de operador de recursos públicos sem cargo eletivo.O caso ganhou nova força com uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

“Estão querendo é criminalizar o diálogo político-partidário. A impressão que passa para quem lê as matérias, e é importante desmentir, é que parece que peguei o dinheiro e botei no bolso, que o dinheiro não foi para os municípios, para ser aplicado”, disse Eduardo Cunha à rádio Maravilha 89.

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O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Cunha. A decisão foi publicada em 6 de julho e tornada pública no domingo, 12 de julho.

Segundo a investigação, o ex-deputado teria atuado no direcionamento de emendas mesmo sem exercer mandato no Congresso. Para Dino, diálogos e planilhas reunidos na apuração indicam que Cunha teria agido para fortalecer sua campanha a deputado federal em Minas.

A decisão menciona que ele, mesmo sem mandato, teria funcionado como mandante do redirecionamento de valores públicos para redutos eleitorais de interesse.

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Por que o caso afeta diretamente Minas

A controvérsia tem impacto direto no estado porque os recursos investigados teriam sido enviados a municípios mineiros. Isso ocorre em um momento em que Cunha tenta construir base eleitoral em Minas.

Ex-deputado pelo Rio de Janeiro, ele está filiado ao Republicanos e busca retornar à Câmara pelo estado mineiro após quase uma década sem mandato.

A investigação cita 29 emendas destinadas a municípios de Minas entre outubro e dezembro de 2025, com valor total de R$ 6,1 milhões. Segundo o UOL, os repasses saíram pela Comissão de Saúde da Câmara.

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As cidades citadas na investigação

Os recursos aparecem associados a diversas cidades mineiras. Entre elas estão Pedrinópolis, Lajinha, Varjão de Minas, Espera Feliz, Conceição do Rio Verde, Itamonte, São João Nepomuceno, Três Corações, Poté, Raul Soares e Piau, além de outros municípios.

A distribuição dos repasses por diferentes cidades é justamente um dos pontos analisados pela investigação, que tenta identificar se havia estratégia eleitoral por trás dos destinos escolhidos.

Para os investigadores, o padrão dos envios teria relação com a construção de apoio político em regiões de interesse para uma futura candidatura no estado.

O que a Polícia Federal sustenta

A Polícia Federal afirma que Cunha atuava como “agente privado” com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício. Segundo o relatório, ele interferiria no direcionamento de recursos federais sem autorização institucional.

A investigação aponta a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, como peça operacional no fluxo das emendas. Ela teria atuado no despacho de recursos desde a gestão de Arthur Lira e permanecido na função durante a presidência de Hugo Motta. A PF afirma haver indícios de que a cúpula da Câmara tinha conhecimento e deu aval ao funcionamento desse sistema. A Câmara não havia se manifestado até a publicação da reportagem do Metrópoles que trouxe essas informações.

Cunha nega e diz que há motivação política: “Em resumo, nós temos uma polícia que resolve fazer parte do processo político e essa polícia considerou irregulares as emendas parlamentares que foram destinadas a municípios de Minas Gerais, que foram por sugestões iniciais minhas”.

A defesa: pedido não é indicação formal

A defesa de Cunha afirma que ele não foi ouvido antes do bloqueio, que não apresentou nem formalizou nenhuma das emendas citadas e que as indicações foram feitas oficialmente por parlamentares, bancadas ou órgãos com competência legal.

Os advogados rejeitam a tentativa de transformar o que chamam de “legítima interlocução política” em “exercício clandestino de mandato parlamentar”.

Ao SBT News, o ex-deputado admitiu ter feito pedidos a deputados, mas negou ter dado ordens ou indicado diretamente emendas. Afirmou que pediu “em algum momento” ao então líder do Republicanos na Câmara, Gilberto Abramo, deputado por Minas, que atendesse demandas, o que, segundo ele, não significa indicação formal.

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