Eduardo Cunha também entra no alcance da regra eleitoral que afasta pré-candidatos de programas de rádio e televisão. O caso dele é diferente dos jornalistas e apresentadores tradicionais, mas politicamente relevante: Cunha é dono da Rádio Maravilha, emissora gospel em Belo Horizonte, e pretende disputar vaga de deputado federal por Minas Gerais. O ex-presidente da Câmara dos Deputados confirmou que permanecerá no Republicanos e tentará voltar ao Congresso pelo estado mineiro.
Com a regra eleitoral, Cunha não poderá apresentar nem comentar programas em emissoras de rádio ou televisão enquanto mantiver a pré-candidatura. A restrição vale para qualquer pré-candidato, independentemente de ser jornalista profissional, comunicador, empresário de mídia ou político de carreira como é o caso dele.
Rádio como base eleitoral
A diferença de Cunha em relação a nomes como Eduardo Costa, Mauro Tramonte ou Carlos Viana é que ele não está tentando sair do jornalismo para a política. Ele já é um político profissional tentando reconstruir base eleitoral em Minas Gerais, e a presença no rádio funciona, nesse contexto, como ferramenta estratégica de entrada no estado, não como origem de sua carreira pública.
A Rádio Maravilha conversa diretamente com o público evangélico, segmento importante na direita mineira e nacional nos últimos ciclos eleitorais. A emissora também ajuda a aproximar Cunha de lideranças religiosas, ouvintes conservadores e municípios fora do eixo político concentrado em Belo Horizonte, ampliando seu alcance territorial em uma disputa proporcional que depende de capilaridade para gerar votos suficientes em todo o estado.
Microfone como instrumento de reconstrução política
O caso de Eduardo Cunha reforça como rádio e política voltaram a se cruzar em Minas Gerais no ciclo eleitoral de 2026. Para alguns nomes, como Eduardo Costa, Mauro Tramonte e Marcelo Aro, o microfone foi um ativo importante nos últimos meses, já que os aproxima do ouvinte e telespectador.
Para Cunha, a lógica é diferente: o rádio pode funcionar como instrumento de reconstrução de uma carreira política já consolidada, mas que precisa recuperar presença e relevância em um estado onde o ex-deputado busca reconstruir sua base eleitoral.
A repetição desse padrão entre diferentes nomes da política mineira mostra que a fronteira entre comunicação e disputa eleitoral segue sendo um ponto sensível em Minas Gerais, exigindo da Justiça Eleitoral fiscalização constante sobre o cumprimento das regras de afastamento à medida que o calendário de 2026 avança.
Seu grupo de comunicação abriu na última segunda-feira, 29, a filial da Jovem Pan News FM em Belo Horizonte. O grupo de São Paulo está em uma expansão nacional e também mira chegar na televisão aberta.





