Em 11 de fevereiro de 2026, o clima na Cidade Administrativa é de preparação para uma transição que promete não ser apenas de nomes, mas de estilo. Mateus Simões, ao questionar publicamente as fronteiras de atuação do Judiciário e da Corte de Contas, executa um movimento que os clássicos da política chamariam de “afirmação de prerrogativas”.
O gatilho — a suspensão das oitivas para a implantação das Escolas Cívico-Militares e as travas orçamentárias — foi o cenário ideal para que o futuro governador sinalizasse ao mercado político: o Executivo mineiro não será mais um espectador das decisões de gabinete.
A Lógica da Força: Atraindo o Eleitorado “Raiz”
Para Simões, o embate tem um objetivo eleitoral cirúrgico. Ao confrontar o que parte da base conservadora chama de “ativismo judicial”, ele preenche o vácuo deixado por Romeu Zema (mais voltado à gestão técnica) e se apresenta como o verdadeiro herdeiro da coragem institucional que o eleitorado de Jair Bolsonaro exige.
Neste cenário, a crítica ao TJMG e ao TCE não é um ataque à democracia, mas um apelo à eficiência democrática. Simões argumenta que o governo eleito precisa ter liberdade para executar o plano de metas aprovado nas urnas, sem que a “burocracia de controle” paralise entregas essenciais como a educação e a infraestrutura.
Governabilidade e Investimentos: O Lado do Mercado
Investidores costumam temer a insegurança jurídica, mas, paradoxalmente, eles apreciam a previsibilidade de execução. Se Simões conseguir demonstrar que seu embate é para “destravar” o Estado e reduzir o custo da burocracia, ele poderá manter o apoio do setor produtivo mineiro. O risco é a transição de “líder forte” para “gestor instável”. Até agora, Simões tem jogado no primeiro campo, usando o confronto para forçar uma mesa de negociações em termos mais favoráveis ao Executivo.
Projeções para 2026: A Unificação da Direita
Com Rodrigo Pacheco operando para isolar o PSD mineiro e atrair o União Brasil, Simões precisa de uma marca forte. O “confronto com o sistema” é o cimento que pode unir o PL de Nikolas Ferreira e o Republicanos de Cleitinho ao seu projeto.
“Simões descobriu que, em 2026, a moderação não ganha jogo no interior de Minas. Ele trocou o silêncio da gestão pelo barulho da liderança. É um movimento arriscado, mas é o único que o tira da sombra de Zema para o centro do palco nacional” – Fhilipe Pelájjio.
A política mineira entra em março com um governador que não pedirá licença para governar. Mateus Simões sabe que, se aceitar passivamente todas as limitações impostas pelos tribunais, chegará a outubro de 2026 como um “síndico de massa falida”.
Ao colocar limites ao TJMG e ao TCE, ele não está apenas brigando por escolas cívico-militares; está brigando pelo direito de ser o protagonista do seu próprio mandato. Em Minas, quem não marca território acaba perdendo a fazenda.