HomePolítica e PoderRodrigo Pacheco e o PSD: Senador libera aliados das amarras partidárias

Rodrigo Pacheco e o PSD: Senador libera aliados das amarras partidárias

Diz-se nos bastidores de Belo Horizonte que a política mineira não admite vácuo, mas tolera a espera. O senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Congresso e outrora o nome imbatível do PSD nas Alterosas, acaba de emitir o sinal mais claro de que sua relação com a legenda de Gilberto Kassab entrou em um processo de “separação de corpos”. Ao dar carta branca para que seus aliados se filiem onde for melhor, Pacheco executa um movimento que oscila entre a melancolia da despedida e a frieza do cálculo estratégico.

A “liberação” da porteira partidária é, em essência, o reconhecimento de um fato consumado: o PSD mineiro agora é o quintal da sucessão de Romeu Zema. Com a filiação de Mateus Simões e as bênçãos de Kassab ao projeto da centro-direita, Pacheco viu seu espaço ser comprimido até a periferia da própria sigla.

A Estratégia dos Satélites: Influência sem Posse

Quem enxerga fraqueza no gesto de Pacheco ignora a sofisticação do poder em rede. Ao permitir que sua base permaneça no PSD, o senador evita um racha traumático que poderia incinerar pontes com prefeitos e lideranças regionais que dependem da máquina municipal.

Pacheco opera o que chamamos de “presença por satélite”: ele pode até trocar o PSD pelo PSB ou MDB para viabilizar um palanque com o PT de Lula, mas deixará para trás uma malha de aliados devidamente instalada na estrutura de Kassab. É a garantia de que, independentemente da legenda que estampar em seu peito, ele continuará sendo um interlocutor inevitável em qualquer mesa de negociação em 2026.

Fraqueza ou Cálculo Frio?

O risco, claro, é a entropia. Quando um líder abre a porteira, ele corre o risco de ver sua tropa ser seduzida pela nova “voz de comando” da casa — neste caso, a dupla Zema-Simões. Se a “liberação” for lida como desânimo, Pacheco corre o risco de chegar a abril (prazo final de filiações) como um general sem exército.

No entanto, o histórico de Pacheco sugere o oposto: ele é um profissional da cautela. Ao retirar o peso da fidelidade obrigatória, ele retira também o alvo das costas de seus aliados, protegendo-os de represálias internas e mantendo o capital político “vivo” para o momento em que a polarização nacional exigir definições.

The Politica
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