Diz-se que Minas não se move por impulso, mas por gravidade. Em 3 de fevereiro de 2026, a gravidade política aponta para um centro de massa inevitável: o encontro entre a estrutura partidária do PSD e a tração popular do Republicanos. A sucessão de Romeu Zema deixou de ser um dilema acadêmico para se tornar uma questão de engenharia de poder.
De um lado, o vice-governador Mateus Simões consolidou-se como o “homem do projeto”. Ao trocar o Novo pelo PSD, ele buscou o que a política mineira mais valoriza: o chão de fábrica dos prefeitos e a logística dos diretórios. Do outro, o senador Cleitinho Azevedo lidera as pesquisas (com sólidos 38% no último levantamento da Real Time Big Data) como o “homem do povo”. O desafio agora é transformar esse namoro de conveniência em um casamento de Estado.
O Nó de Brasília: A Trava do Palanque
O maior obstáculo à “Potência Minas” não está no Palácio da Liberdade, mas no Planalto. O PL de Flávio Bolsonaro exige um palanque unificado e exclusivo para sua pré-candidatura presidencial. A lealdade de Simões ao projeto nacional de Zema criou uma fricção que, até agora, impedia o PSD e o PL de falarem a mesma língua.
Contudo, a realpolitik sugere que o tempo da pureza ideológica está se esgotando. Se a direita mineira não apresentar um bloco monolítico até março — o “prazo de ouro” de Cleitinho —, corre o risco de ver a esquerda, liderada pela “unção” de Marília Campos, ocupar o vácuo deixado pela vaidade.
Os Três Atos da Aliança
Para que Simões e Cleitinho virem potência, a política mineira desenha três cenários realistas:
- A Chapa de Continuidade (Simões-Cabeça): Mateus lidera com o apoio da máquina estadual e dos prefeitos, enquanto Cleitinho atua como o grande cabo eleitoral e fiador de base. É a união da “gestão técnica” com o “frenesi digital”.
- A Chapa do Clamor (Cleitinho-Cabeça): O senador assume a liderança pelo recall eleitoral, e Simões entra como o “primeiro-ministro” da chapa, garantindo que o governo não seja apenas um grito, mas uma entrega administrativa.
- O Pacto do Segundo Turno: Uma estratégia de “não agressão” mútua. Ambos testam suas forças no primeiro turno sem se canibalizarem, com o compromisso de unificação total sob quem chegar à reta final.
A Disciplina contra o Ego
O “Custo Minas” em 2026 será medido pela capacidade de coordenação. Se Simões e Cleitinho conseguirem superar o fetiche da identidade pura em favor da disciplina de poder, a direita mineira terá construído um forte inexpugnável.
O aviso está dado: Minas tolera o conservadorismo, mas abomina a desorganização. A “Chance de Ouro” de 2026 só será aproveitada se a direita entender que o poder, assim como o queijo mineiro, precisa de tempo e pressão para chegar ao ponto certo. Se cada um quiser ganhar sozinho, perderão juntos para a história.