A promoção da Coca-Cola com figurinhas da Copa do Mundo virou dor de cabeça para a própria empresa e para supermercados no Brasil. A ação, criada em parceria com a Panini, colocou figurinhas especiais no interior dos rótulos de garrafas participantes. O problema é que parte dos consumidores passou a violar as embalagens nas gôndolas para retirar os itens sem comprar o refrigerante.
Com os rótulos arrancados ou danificados, as garrafas deixam de poder ser vendidas normalmente. Em muitos casos, o produto perde o código de barras, a identificação comercial e parte das informações obrigatórias de embalagem. O resultado é prejuízo imediato para o varejo e necessidade de recolhimento.
O Moon BH verificou que a Coca-Cola passou a recolher os produtos violados e está em contato com revendedores para coleta e restituição das bebidas. Na prática, a companhia assumiu o custo operacional de uma promoção que gerou engajamento, mas também abriu uma falha no ponto de venda.
A campanha foi criada para aproveitar a febre do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026. A mecânica parecia simples: o consumidor comprava um produto participante com rótulo especial, retirava a figurinha no interior da embalagem e colava o item em uma página exclusiva da Coca-Cola no álbum da Panini. Também havia integração com recursos digitais.
O apelo funcionou. A figurinha virou objeto de desejo de colecionadores. Mas a escolha de colocar o item no rótulo, em vez de dentro de uma embalagem lacrada ou em um sistema protegido no caixa, acabou expondo garrafas a furtos e danos antes da compra.
Como funciona a promoção da Coca-Cola com a Panini
A promoção reúne 14 figurinhas especiais ligadas ao álbum da Copa. Os itens aparecem debaixo do rótulo de embalagens participantes de Coca-Cola Original e Coca-Cola Zero, nos tamanhos de 600 ml e 2,5 litros, conforme disponibilidade por região.
A ideia era transformar a garrafa em uma espécie de embalagem colecionável. O consumidor comprava o refrigerante, descolava a figurinha e completava a página especial da marca no álbum. Para a Coca-Cola, era uma forma de entrar no ritual de coleção da Copa, que costuma movimentar famílias, crianças, adolescentes e adultos.
O problema surgiu porque a figurinha ficava acessível antes da compra. Em redes de supermercado, atacarejos e lojas de conveniência, consumidores passaram a arrancar rótulos ainda nas prateleiras. Relatos circularam nas redes sociais mostrando garrafas sem identificação, embalagens violadas e estabelecimentos tentando improvisar formas de proteção, como fitas nos rótulos ou maior vigilância nas geladeiras.
Para o supermercado, a situação é delicada. Uma garrafa violada não é apenas um produto feio na prateleira. Ela pode não passar no caixa, pode descumprir regras de rotulagem e pode gerar desconfiança no consumidor. Mesmo quando o líquido não foi aberto, a mercadoria perde condição normal de venda.
Por que o prejuízo recai sobre a Coca-Cola
O caso também abriu uma discussão sobre responsabilidade no varejo. O produto chegou ao supermercado com a mecânica promocional definida pela fabricante. O lojista recebeu a mercadoria já com a figurinha posicionada no rótulo. Se a campanha criou risco de violação antes da compra, a responsabilização tende a recair sobre quem desenhou a ação.
Na prática, é isso que explica o recolhimento. A Coca-Cola precisa retirar as unidades danificadas e recompor o prejuízo dos revendedores para evitar que a promoção se transforme em perda direta para o varejista.
Para redes de Minas, a situação serve de alerta. Supermercados, atacarejos e lojas de conveniência costumam participar de campanhas promocionais de grandes fabricantes, especialmente em datas de alto consumo, como Copa do Mundo. Quando a ação dá certo, aumenta fluxo, venda por impulso e engajamento. Quando a mecânica falha, o problema aparece no balcão, na gôndola e no caixa.
O caso da Coca-Cola mostra que campanhas de Copa precisam pensar não apenas no desejo do consumidor, mas também na operação da loja. Um brinde muito visível, fácil de remover e com valor para colecionadores pode atrair compra, mas também furto, violação e perda.
Para o consumidor, a orientação é simples: figurinha só deve ser retirada após a compra. Arrancar rótulo de produto na prateleira danifica mercadoria e pode configurar crime, além de gerar prejuízo para lojas, fabricantes e outros clientes que deixam de encontrar produtos íntegros.


