O mercado publicitário brasileiro movimentou impressionantes R$ 95,2 bilhões em 2025, registrando uma alta de 8,2% impulsionada pela liderança isolada da internet na captação de verbas. O cenário nacional acende um alerta de oportunidade imediata para Minas Gerais. Com um ecossistema criativo maduro e forte interiorização, o estado tem a faca e o queijo na mão para capturar uma fatia milionária desse bolo, descentralizando os pesados investimentos do eixo São Paulo-Rio.
A virada multiplataforma e a força criativa de Minas
O raio-X financeiro do setor, medido pelo mercado, confirma a supremacia digital sobre os meios tradicionais. As compras via agências somaram R$ 28,9 bilhões (alta de 10%), com a internet devorando 40,6% dos investimentos e superando, de forma consolidada, a TV aberta (33,6%).
É exatamente nessa fragmentação de mídia que Minas Gerais encontra seu maior trunfo. Longe de ser um mero mercado consumidor, o estado desponta como um polo produtor B2B altamente qualificado. Os números do Sebrae e do Governo do Estado comprovam essa musculatura:
- Capilaridade: 12 de cada 100 negócios da economia criativa do Brasil estão em Minas (somando mais de 63 mil empresas).
- Empregabilidade: A engrenagem da criatividade sustenta mais de 691 mil postos de trabalho em solo mineiro.
- Geração de Vagas: O estado figurou entre os líderes nacionais da retomada, com mais de 17 mil admissões na área da cultura em 2024.
Retail Media: O varejo mineiro como veículo de comunicação

A grande fronteira de crescimento e monetização em Minas passa diretamente pelo Retail Media (mídia de varejo). O anunciante moderno exige métricas precisas de conversão, e o estado possui um peso colossal no varejo alimentar, atacadista e no comércio pulverizado.
A nova lógica corporativa transforma essas grandes redes em verdadeiras empresas de mídia. A estratégia envolve a comercialização de espaços em ativos próprios do ecossistema de varejo, como:
- Aplicativos, marketplaces e ricas bases de dados (CRM) regionais.
- Telas, rádio-loja e displays digitais nos pontos de venda físicos.
- Plataformas locais de serviços e fidelidade.
Transformar a infraestrutura comercial em balcão de publicidade é o caminho mais curto e lucrativo para gerar novas fontes de receita e profissionalizar ainda mais as redes do estado.
A economia da experiência e o turismo na vitrine
Outra avenida de faturamento garantida está na ativação de marcas por meio da economia da experiência. O turismo mineiro, fortemente atrelado à identidade regional e à gastronomia, movimentou expressivos R$ 34 bilhões em 2023, conforme dados chancelados pelo painel de estatísticas oficiais do Observatório do Turismo de Minas Gerais.
Grandes festivais, feiras de negócios, circuitos históricos e o tradicional turismo religioso oferecem um terreno fértil para a união entre a produção audiovisual local e o engajamento digital através de criadores de conteúdo (creators).
O futuro da publicidade nacional exige segmentação com alcance. Se Minas Gerais souber integrar seu turismo invejável, seu varejo de escala bilionária e sua rede de agências digitais, o estado sairá definitivamente da condição de praça coadjuvante para se consolidar como um dos polos criativos mais rentáveis do país.