Durante anos, ouvimos que o rádio era uma “mídia em declínio”. Mas quem sintoniza o dial em Belo Horizonte está ouvindo outra história — contada com investimento pesado e novos produtos. Em menos de 18 meses, a capital mineira viu nascer (ou renascer) quatro projetos de peso: uma rádio all news 24 horas, uma plataforma esportiva, uma rede gospel nacional e uma nova gigante sertaneja.
O pano de fundo que transforma esse movimento em “case nacional” é estatístico: o Inside Audio 2025 (Kantar IBOPE Media) apontou BH como a praça de maior alcance percentual do rádio no país, batendo 87% de penetração. Em outras palavras: onde a audiência continua grande, o dinheiro e a briga voltam a ser grandes.
O “Quarteto Fantástico”: As 4 Novidades que mudaram o jogo
Não é “mais do mesmo”. O mercado de BH apostou na segmentação agressiva:
1. 98 News (O Jornalismo 24h) Lançada em maio de 2025 e reposicionada no dial (98.7 FM) em dezembro, a 98 News foi a resposta à demanda por tempo real. A tese é clara: o streaming tem música, mas só o rádio tem a “voz local” da notícia, do trânsito e da política na hora em que ela acontece.
2. Fã FM (A Máquina de Comunidade) Ao ocupar o vácuo deixado pela O Tempo FM na frequência 91.7, a Fã FM não voltou apenas musical. Ela pivotou para o Esporte, montando equipe para cobrir Cruzeiro e Atlético. A estratégia é “colar” a audiência no ao vivo dos jogos e criar fidelidade diária.
3. Maravilha FM (A Força Gospel) Estreando em julho de 2025 na frequência nobre 89.1 (Savassi), a rede trouxe estrutura profissional para um segmento que tem a audiência mais fiel do mercado: o público religioso.
4. Itatiaia Sertaneja (O Contra-Ataque) A cereja do bolo foi o anúncio da Itatiaia Sertaneja (provável 99.5 FM). É um movimento de xadrez: se o esporte ficou concorrido, a líder avança para o gênero musical que concentra a verba do varejo e dos grandes eventos.
Por que BH é o “Laboratório” do Brasil?
Há duas leituras que explicam esse aquecimento:
- Audiência Massiva: Com 87% de alcance, o rádio em BH ainda é canhão de mídia. O anunciante sabe que, se quiser falar com a massa, precisa estar no dial.
- O “Novo” Rádio: A sensação de declínio era sobre o modelo antigo (apenas música de fundo). O que BH mostra é o rádio como ecossistema.
- As rádios hoje disputam atenção no Instagram, no YouTube (com cortes) e no WhatsApp.
- A 98 News, por exemplo, já nasce vendendo seus números digitais.
Conclusão: O Rádio mudou de tese
Belo Horizonte virou o melhor termômetro do setor porque provou que o rádio não acabou — ele apenas mudou de endereço. O “rádio jukebox” perdeu para o Spotify. Mas o rádio de serviço, de esporte, de notícia local e de fé ganhou relevância. BH está provando que, quando a praça ainda escuta, o dial não esfria: ele vira uma arena.