A janela de transferências do meio do ano colocará a diretoria do Santos diante de uma complexa equação financeira: fazer caixa de forma urgente sem promover um desmanche irreversível no elenco.
Pressionado pela necessidade de manter o equilíbrio das contas e evitar punições severas da Fifa, como o temido transfer ban, o presidente Marcelo Teixeira já mapeia o mercado para repetir o alívio financeiro obtido recentemente com a venda de Souza ao Tottenham (Inglaterra).
Neste cenário de urgência por liquidez imediata, o departamento de futebol não tem dúvidas sobre qual é o seu principal ativo para o mês de julho. O meia Gabriel Bontempo desponta não apenas como uma joia da base, mas como o jogador mais maduro e preparado para atrair cifras milionárias do exterior.
A ascensão com Vojvoda e o lastro competitivo
A valorização de Bontempo não é baseada apenas em potencial futuro, mas em entrega tática no presente. Sob o comando do técnico Juan Pablo Vojvoda, o meia conquistou espaço definitivo no time principal.
Em recortes recentes da temporada 2026, o atleta assumiu a titularidade absoluta da equipe, ganhando a minutagem e a rodagem em competições de elite que os clubes europeus e asiáticos exigem antes de formalizarem propostas.
Para o Santos, que precisa transformar um ativo em dinheiro rápido ainda neste ano, o estágio competitivo de Bontempo o coloca à frente de outras promessas da Vila Belmiro.
A blindagem de 100 milhões de euros

Apesar da necessidade de vender, a gestão santista se recusa a entrar em negociações em tom de desespero. O clube se protegeu contratualmente de forma antecipada.
As travas que garantem o poder de barganha do Peixe no mercado:
- Vínculo garantido: O meia renovou o seu contrato com o clube no final de 2024, estendendo a sua permanência na Vila Belmiro até o fim de 2026.
- A multa rescisória: O documento estipula uma cláusula de saída na casa dos € 100 milhões (aproximadamente R$ 643 milhões). O valor afasta sondagens de baixo escalão e obriga os interessados a abrirem os cofres.
A concorrência interna no Santos e o novo mercado saudita
Se a pergunta na mesa da diretoria é “quem vender em julho?”, Bontempo vence a concorrência interna por eliminação técnica e contratual. O atacante Robinho Jr., dono de enorme apelo midiático, vive um impasse delicado de renovação com o seu estafe, o que afasta investidores que buscam operações mais lineares.
Já Pepê Fermino, com contrato renovado até 2030, é visto como um projeto de valorização de longo prazo.
A pressa santista por liquidez dialoga perfeitamente com a nova realidade do Oriente Médio. O mercado da Arábia Saudita, que antes focava exclusivamente em estrelas veteranas, mudou a sua rota e passou a injetar fortunas em jovens talentos brasileiros — movimento exemplificado pela recente ida do também ex-santista Marcos Leonardo.
Se os árabes baterem à porta em julho, o Santos tem em Gabriel Bontempo o pacote completo: idade, lastro no time principal e um contrato blindado para exigir o preço que quiser.