O placar de 1 a 1 no clássico contra o Corinthians pode ter dado uma sensação de alívio ao torcedor do Santos, mas a análise fria dos 90 minutos liga um sinal vermelho na Vila Belmiro. O Peixe evitou a derrota não porque controlou o jogo, mas porque contou com um pênalti desperdiçado pelo rival e um lampejo de Gabigol no fim. Para um técnico tático como Juan Pablo Vojvoda, o diagnóstico é duro: o Santos hoje é um time que ataca no caos e defende no susto.
A defesa santista não é um sistema; virou uma sucessão de duelos individuais desesperados. E a culpa não é apenas da “falta de ritmo” de início de temporada. Há escolhas táticas cobrando um preço alto.
O Preço do 4-2-4: Ousadia ou Suicídio?
A principal crítica ao modelo atual de Vojvoda é o desequilíbrio do 4-2-4. Ao lançar o time com quatro atacantes ou meias ofensivos pisando na área, o Santos ganha volume, mas perde o meio-campo.
- O Problema: Quando o ataque perde a bola, não há “defesa de descanso” organizada. O adversário encontra um corredor livre para correr contra uma zaga exposta.
- O Sintoma: No clássico, o Corinthians encontrou “buracos” gigantescos na recomposição. Qualquer erro de passe virava um incêndio na área santista.
Pré-Temporada Curta: Desculpa ou Realidade?
Gabigol foi vocal ao reclamar do calendário (“duas semanas de treino para um clássico”). O argumento físico é válido: a recomposição defensiva exige pernas, e o time ainda está “pesado”. Mas isso não explica tudo. Erros de posicionamento e falhas “infantis” (como o pênalti cometido) nascem da desorganização, não apenas do cansaço. A identidade defensiva sólida, marca registrada de Vojvoda no Fortaleza, ainda não desembarcou em Santos em 2026.
3 Ajustes para “Parar de Sangrar”
Para o Santos parar de depender da sorte ou de milagres de goleiro, Vojvoda precisa corrigir a rota antes que o calendário aperte:
- Povoar o Meio: Menos 4-2-4 e mais controle. O time precisa de um terceiro homem no meio para ditar o ritmo e proteger a zaga.
- Transição Defensiva: Definir quem fica. Hoje, todos parecem querer atacar, e ninguém sobra para matar o contra-ataque na origem.
- Segurança no Passe: O time erra passes simples em zonas mortais. Sem confiança técnica, a tática desmorona.
Neymar Resolve?
A volta do craque está próxima, mas cuidado com a ilusão. Neymar vai qualificar a posse de bola e o ataque, mas ele não é volante. Se o time continuar espaçado e desorganizado, a presença do camisa 10 pode até aumentar o desequilíbrio defensivo se não houver compensação tática. Neymar é a cereja do bolo, mas o bolo (a defesa) está solado.