A reapresentação do Atlético-MG na Cidade do Galo foi marcada por declarações que expõem o compasso de espera de uma das novelas mais quentes da janela. Rony, alvo declarado do Santos para 2026, tratou com cautela e sinceridade o seu futuro. Ao ser abordado sobre a negociação, o atacante soltou uma frase que resume o momento de indefinição: “Eu não tô sabendo ainda… a gente tá meio que no escuro”.
Rony garantiu que, até o momento, não recebeu nenhum contato direto ou comunicado de dispensa. “Até então sim [fico]. Não me mandaram embora, estou aí”, afirmou o jogador. A postura retranca, no entanto, esconde uma negociação complexa nos bastidores.
O Atlético não se opõe à saída, desde que o Santos chegue aos valores exigidos para uma venda definitiva, já que a ideia de emprestar um ativo caro não agrada à diretoria mineira.
A Conta do Atlético-MG: Pedida de € 5 milhões e salário “nível Europa”
Para tirar Rony de Belo Horizonte, o Santos terá que abrir o cofre. O Atlético-MG, que investiu cerca de € 6 milhões para contratar o jogador em 2025, quer recuperar parte do prejuízo. A pedida atual gira em torno de € 4 milhões fixos + € 1 milhão em metas, totalizando um pacote potencial de € 5 milhões (aproximadamente R$ 32,5 milhões).
Além da taxa de transferência, existe a barreira salarial. Os vencimentos mensais de Rony extrapolam a casa de R$ 1 milhão. Em um momento em que a SAF do Galo busca enxugar a folha e rejuvenescer o elenco, livrar-se desse custo é estratégico, mas não a qualquer preço.
Santos tem R$ 11 milhões em caixa e tenta “mágica” financeira

Do lado da Vila Belmiro, a vontade existe, mas o dinheiro é curto. O Santos planeja utilizar os recursos da venda de Guilherme (cerca de R$ 11 milhões) para viabilizar a chegada de Rony. O problema é o abismo entre o que o Santos tem e o que o Galo quer.
Segundo o ge, a diretoria santista trabalha com um cenário de investimento próximo a US$ 2 milhões (cerca de R$ 12 milhões), valor muito abaixo da pedida mineira. O Peixe preferiria um empréstimo com divisão de salários, modelo que o Atlético rejeita por enquanto, pois prefere a venda definitiva para fazer caixa e “limpar” a folha de vez.
Análise Moon BH: O Blefe da Reapresentação
Quando Rony diz que está “no escuro”, ele está jogando o jogo. Ele sabe que o Santos o quer e sabe que o salário dele é um problema para o Atlético. A declaração joga a responsabilidade para os clubes: “Se vocês querem que eu saia, resolvam a conta”.
Para o Atlético, vender Rony por R$ 32 milhões seria o negócio do ano, trocando um jogador de custo-benefício questionável por dinheiro novo. Para o Santos, é um risco de “all-in”: gastar todo o dinheiro da janela em um único jogador de 30 anos. A novela vai se arrastar até alguém ceder na calculadora, não no campo.