O Palmeiras chega ao confronto decisivo contra o Cerro Porteño, pela Libertadores, carregando um problema que começou a se repetir justamente na reta final das partidas. Em três dos últimos quatro jogos, a equipe de Abel Ferreira sofreu um gol depois dos 43 minutos do segundo tempo que modificou o resultado que estava construindo. A sequência ajuda a explicar por que os quatro jogos sem vitória merecem uma leitura além da simples queda de rendimento.
O caso mais recente aconteceu diante do Fluminense, no sábado (15). O Palmeiras esteve duas vezes à frente no Maracanã, primeiro com Gustavo Gómez e depois com Mauricio, que marcou aos 37 minutos da etapa final. A vantagem, porém, durou pouco. O Tricolor buscou o empate e, já aos 46 minutos, Germán Cano completou a virada por 3 a 2.
O roteiro não surgiu naquele jogo. Nos compromissos anteriores, o Verdão já havia deixado escapar resultados nos minutos finais, tanto na Copa do Brasil quanto na Libertadores. Com uma decisão continental marcada para quarta-feira (19), a recorrência transforma o fechamento das partidas em um ponto de atenção para Abel Ferreira.
Palmeiras sofreu três golpes tardios em quatro partidas
A sequência começou contra o Fortaleza, em 5 de agosto, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. O Palmeiras havia construído uma vantagem confortável no primeiro confronto e conseguiu avançar no placar agregado, mas perdeu a partida de volta por 3 a 2. O gol que definiu a derrota foi marcado por Lucas Emanoel aos 43 minutos do segundo tempo.
Quatro dias depois, o time recebeu o Internacional pelo Campeonato Brasileiro e ficou no 0 a 0. Foi o único dos últimos quatro compromissos em que um gol sofrido na reta final não interferiu diretamente no resultado. O empate manteve o Palmeiras na liderança da competição, então com 48 pontos.
O problema reapareceu em um contexto ainda mais delicado diante do Cerro Porteño. No jogo de ida das oitavas da Libertadores, Flaco López colocou o Palmeiras em vantagem aos 30 minutos do segundo tempo, resultado que permitiria ao clube viajar ao Paraguai com vantagem no confronto. Aos 47, porém, um cruzamento de Jonatán Torres passou por Carlos Miguel e terminou no gol atribuído a Vegetti, decretando o empate por 1 a 1.
Três dias depois veio a derrota para o Fluminense. Dessa vez, o prejuízo foi ainda maior porque o Palmeiras havia conseguido recuperar a vantagem já na reta final. Mauricio fez 2 a 1 aos 37 minutos da segunda etapa, mas a equipe carioca virou antes do apito final, com Cano marcando o terceiro nos acréscimos.
Em um intervalo de dez dias, portanto, Fortaleza, Cerro Porteño e Fluminense conseguiram alterar o placar contra o Palmeiras depois dos 43 minutos do segundo tempo.
Alerta não se resume ao sistema defensivo
A sequência pode sugerir inicialmente um problema exclusivo da defesa, mas os resultados envolvem diferentes circunstâncias. Contra o Fortaleza, o Palmeiras apresentou erros defensivos ao longo de toda a partida. Diante do Cerro Porteño, o empate nasceu de uma falha individual de Carlos Miguel. Já no Maracanã, a equipe não conseguiu administrar uma vantagem recuperada a poucos minutos do encerramento.
Isso torna a questão mais ampla para Abel Ferreira. Administrar o fim das partidas envolve controle de posse, escolhas nas substituições, capacidade de diminuir o ritmo adversário e concentração para defender situações de pressão. O Palmeiras encontrou dificuldades diferentes nessas três partidas, mas todas produziram uma consequência parecida no placar.
O momento também coincide com a primeira sequência de quatro partidas sem vitória da equipe neste recorte recente. Abel evitou tratar o período como uma crise e afirmou após a derrota para o Fluminense que o grupo precisa corrigir erros sem transformar a fase em um cenário mais dramático do que realmente é.
Libertadores transforma minutos finais em questão decisiva

O próximo teste amplia a importância do problema. O Palmeiras enfrenta o Cerro Porteño nesta quarta-feira (19), às 19h, no estádio La Nueva Olla, em Assunção, pelo jogo de volta das oitavas de final da Libertadores. Como a ida terminou empatada em 1 a 1, qualquer vitória classifica o Verdão diretamente, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.
O próprio primeiro encontro entre as equipes mostrou como um lance nos acréscimos pode transformar completamente uma eliminatória. Se tivesse sustentado o 1 a 0 no Nubank Parque, o Palmeiras chegaria ao Paraguai podendo empatar. O gol sofrido aos 47 minutos retirou essa vantagem e deixou a disputa novamente zerada.
A situação não significa que o Palmeiras tenha perdido a capacidade de competir em partidas equilibradas. O recorte ainda é curto e cada um dos gols teve características diferentes. A repetição, entretanto, chega em um momento no qual a margem para correção durante o próprio jogo diminui.
Em uma eliminatória empatada, os minutos que recentemente custaram uma vitória contra o Cerro Porteño e pontos diante do Fluminense podem determinar a continuidade do Palmeiras na Libertadores. Mais do que encerrar a sequência sem vitórias, o desafio de Abel Ferreira passa também por recuperar a capacidade de levar até o apito final o resultado construído dentro de campo.


