Gustavo Gómez está vivendo, aos 33 anos, a primeira Copa do Mundo da carreira. E está aproveitando bem essa estreia tardia. O zagueiro e capitão paraguaio foi um dos destaques da vitória da Albirroja sobre a Turquia, atuando os 90 minutos com liderança técnica e emocional.
O contexto da partida só valoriza ainda mais a atuação. O Paraguai jogou praticamente todo o segundo tempo com um homem a menos, depois da expulsão do meia Miguel Almirón. Mesmo assim, resistiu à pressão turca, que somou mais de 30 finalizações e cerca de 80% de posse de bola na etapa final.
Uma redenção dentro da própria campanha
A boa atuação carrega peso simbólico. Na estreia do grupo, o Paraguai havia sido goleado por 4 a 1 pelos Estados Unidos, anfitriões do torneio. O resultado deixou marcas e gerou dúvidas sobre o time montado por Gustavo Alfaro.
Diante da Turquia, a equipe mostrou outra cara. A solidez defensiva voltou a aparecer, com Gómez como o nome mais citado pela imprensa especializada. Foi destaque em duelos aéreos e em jogadas cortadas dentro da própria área, sustentando o resultado mesmo em desvantagem numérica.
Na leitura do Moon BH, esse tipo de atuação sob pressão tem valor distinto. Mostra um jogador que ainda lidera fisicamente, mesmo perto dos 34 anos.
O Paraguai agora decide a classificação às oitavas de final contra a Austrália, na próxima quinta-feira (25). É o tipo de jogo em que a experiência de Gómez tende a pesar ainda mais.
O fundo de mercado por trás da boa fase
A boa Copa do Mundo de Gómez chega num momento sensível para o Palmeiras. O zagueiro tem contrato com o clube paulista até dezembro de 2027, mas seu nome já circula há meses no chamado mercado da bola.
Segundo apurações recentes, a diretoria iniciou conversas para antecipar uma renovação. A ideia é evitar que as negociações se arrastem até o último ano de vínculo, cenário que normalmente gera desgaste entre clube e atleta.
Ao mesmo tempo, o interesse externo não para de aparecer. O River Plate já demonstrou vontade de contar com Gómez para reforçar sua defesa, projeto que ganhou força depois da contratação de Otamendi pelo clube argentino. Times do Oriente Médio também monitoram a situação, assim como nomes fortes da Major League Soccer e potências do futebol mexicano, como Monterrey e Tigres.
O que pesa a favor da permanência
O Palmeiras, porém, segue irredutível em relação a uma possível saída. A diretoria já recusou propostas pelo zagueiro no passado, inclusive investidas árabes bilionárias, e mantém o discurso de que Gómez é peça estratégica, dentro e fora de campo.
O argumento técnico sustenta essa postura. Gómez é o maior campeão da história do clube, com 13 títulos conquistados desde 2018. Soma mais de 400 partidas pela camisa alviverde e também é o zagueiro com mais gols na história da instituição.
Há ainda um fator afetivo no meio da equação. Internamente, o paraguaio é visto como o principal líder do vestiário, papel que ganhou ainda mais peso depois da saída do goleiro Weverton. Essa combinação de liderança e currículo dificulta qualquer decisão precipitada por parte da diretoria.
A Copa como vitrine, não como porta de saída
Vale lembrar que a depreciação natural do valor de mercado do jogador, já apontada por levantamentos especializados, não significa perda de importância técnica. Pelo contrário: o bom momento na Copa do Mundo reforça justamente o oposto, mostrando que o zagueiro ainda entrega nível alto sob pressão extrema, como descreveu a própria FIFA em reportagem sobre a liderança do paraguaio na seleção.
Por enquanto, o cenário mais provável aponta para a permanência. Mas o futebol costuma reservar surpresas justamente quando um jogador está em alta. Se a boa fase na Copa continuar, é natural que o interesse de outros clubes também cresça na mesma proporção.
Resta ao Palmeiras decidir até onde vale a pena correr esse risco, e até quando consegue manter intacta a espinha dorsal que tanto contribuiu para os últimos anos de conquistas.





