O Palmeiras resolveu responder às acusações que surgiram após a vitória por 4 a 0 sobre o Vitória, no Barradão. Em nota publicada nesta quinta-feira (30), o Verdão defendeu as decisões da arbitragem, classificou o resultado como legítimo e contrariou duas torcidas que se aproximaram de maneira inesperada nas redes sociais: a rubro-negra baiana e a do Flamengo.
Os torcedores do Vitória protestaram contra a não expulsão de Maurício e os cartões vermelhos recebidos por Cacá e Luan Cândido. Flamenguistas também entraram na discussão por causa da disputa direta com o Palmeiras pelo título do Campeonato Brasileiro.
Como mostrou o Moon BH, a torcida do Flamengo se uniu à do Vitória em protestos contra a arbitragem durante e depois da partida. O clube paulista, por sua vez, afirmou que “falsas narrativas” estão sendo construídas para pressionar os árbitros e questionar uma “vitória absolutamente legítima”.
Qual lance iniciou a revolta contra o Palmeiras?
A principal reclamação aconteceu ainda no primeiro tempo. Aos 25 minutos, Maurício atingiu o rosto de Cacá com o braço durante uma disputa de bola. O zagueiro do Vitória precisou de atendimento e levou cinco pontos no queixo.
O árbitro Alex Gomes Stefano apresentou cartão amarelo ao jogador palmeirense. O VAR, comandado por Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, não recomendou que o juiz fosse ao monitor para analisar uma possível expulsão.
Na avaliação divulgada pelo Palmeiras, o braço de Maurício realmente atingiu Cacá, mas não houve força ou movimento adicional suficiente para justificar o cartão vermelho. O clube entende que a advertência aplicada em campo foi proporcional.
A interpretação não foi consenso. Ex-árbitros consultados após a partida consideraram que Maurício deveria ter sido expulso. As análises apontaram que o contato no rosto do adversário poderia ser enquadrado como conduta violenta ou uso de força excessiva.
O próprio Abel Ferreira admitiu que o lance estava “no limite”. O treinador disse que algumas pessoas poderiam defender a expulsão, enquanto outras entenderiam o cartão amarelo, mas destacou que árbitro e VAR optaram por manter a decisão inicial.
Palmeiras defende as duas expulsões do Vitória
Pouco depois, Cacá deu um carrinho em Jhon Arias. A infração não foi marcada inicialmente, mas o VAR recomendou a revisão. Após assistir às imagens, Alex Gomes Stefano expulsou o defensor do Vitória.
Durante a análise, Luan Cândido fez um gesto com as mãos indicando “roubo”. O VAR voltou a chamar o árbitro, que retornou ao monitor e também apresentou o cartão vermelho ao lateral. O Vitória terminou a primeira etapa com nove jogadores.
O Palmeiras publicou uma fotografia mostrando como ficou a perna de Arias. Na versão apresentada pelo clube, Cacá atingiu o colombiano com violência e colocou a integridade física do jogador em risco.
Os áudios liberados pela CBF mostram que o VAR classificou a entrada como jogo brusco grave, com as travas da chuteira atingindo a perna de Arias. A comissão também considerou correta a revisão que resultou na expulsão de Luan Cândido pelo gesto ofensivo contra a arbitragem.
A entidade, entretanto, não publicou a comunicação da equipe responsável pelo vídeo no lance de Maurício. A ausência desse áudio manteve aberta justamente a discussão que provocou a maior revolta entre os torcedores do Vitória.
Vitória ironizou gol de Maurício

Maurício abriu o placar nos acréscimos do primeiro tempo. Imediatamente, o perfil oficial do Vitória publicou: “Gol de quem deveria ter sido expulso. Parabéns aos envolvidos”.
Pouco depois, Fabiano Souza marcou contra e levou o Palmeiras ao intervalo vencendo por 2 a 0. Jhon Arias e Ramón Sosa completaram a goleada durante a segunda etapa.
Depois da partida, o presidente Fábio Mota informou que jogadores e integrantes da comissão técnica não concederiam entrevistas. O dirigente também anunciou que o Vitória apresentaria uma representação contra a atuação da arbitragem.
A reação ultrapassou a torcida baiana. Flamenguistas acompanharam o confronto porque o Rubro-Negro carioca disputa a liderança com o Palmeiras. Nas redes sociais, muitos alegaram que as decisões interferiram diretamente na partida e favoreceram o líder do Brasileirão.
Palmeiras vê interesse de terceiros nas reclamações
Embora não tenha mencionado o Flamengo diretamente, o Palmeiras afirmou que opiniões distorcidas podem servir a “interesses de terceiros”. A escolha das palavras ganhou peso por causa da briga pelo título nacional.
Com a goleada no Barradão, o Verdão chegou aos 47 pontos. O Flamengo, que empatou com o Internacional, ficou com 39. A diferença entre os dois primeiros colocados aumentou de seis para oito pontos.
Na nota, o Palmeiras também utilizou seu desempenho para defender a legitimidade da liderança. O clube destacou que possui o melhor ataque e a defesa menos vazada da competição e afirmou que sua capacidade de competir em alto nível estaria incomodando os adversários.
A manifestação não encerra o debate sobre o cartão de Maurício. As análises de especialistas em arbitragem mostram que existem argumentos técnicos contrários à decisão de campo. Por outro lado, as expulsões de Cacá e Luan Cândido possuem respaldo nos áudios divulgados pela CBF.
Assim, o Palmeiras respondeu às duas torcidas, mas a polêmica deve continuar. Para os palmeirenses, houve aplicação correta das regras e uma tentativa de desvalorizar a goleada. Para Vitória e parte da torcida do Flamengo, a permanência de Maurício em campo mudou completamente a história do confronto.


