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Palmeiras volta ao centro de acusações sobre arbitragem; o que está acontecendo?

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O Palmeiras voltou ao centro de uma discussão que vem ganhando força nas últimas rodadas do Brasileirão. Depois das reclamações do Vitória e de uma nota oficial do Flamengo apontando uma percepção de benefícios ao Verdão, foi a vez do Internacional questionar decisões tomadas no empate por 0 a 0 deste domingo (9). Desta vez, o técnico Paulo Pezzolano afirmou que dois jogadores palmeirenses deveriam ter sido expulsos.

A sucessão de episódios ajuda a explicar por que a arbitragem se transformou em um dos temas paralelos à campanha do líder do Campeonato Brasileiro.

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Isso, porém, não significa que exista comprovação de favorecimento ao Palmeiras. As manifestações são reclamações e acusações feitas por adversários. Inclusive, especialistas que analisaram os lances do jogo contra o Internacional divergiram da interpretação de Pezzolano e não viram motivos para cartão vermelho em algumas das jogadas questionadas.

Internacional reclama de duas possíveis expulsões

A nova polêmica aconteceu durante o empate sem gols entre Palmeiras e Internacional.

Pezzolano reclamou principalmente de uma entrada de Allan sobre Félix Torres. O jogador colorado estava próximo ao chão quando o palmeirense chegou atrasado e o atingiu na perna. Para o treinador do Inter, a jogada justificava uma expulsão.

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“Não tem que esperar quebrar. É vermelho. Chega tarde na bola”, afirmou Pezzolano após a partida.

O uruguaio também contestou outro lance, envolvendo o zagueiro Barboza e Carbonero. Depois de uma disputa, o defensor do Palmeiras atingiu a cabeça do atacante colorado ao passar pelo adversário caído. Nenhum dos dois episódios terminou em expulsão.

Pezzolano foi além dos lances específicos e pediu uniformidade na atuação dos árbitros.

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“O único que peço é o mesmo critério para todos”, declarou. O treinador também reclamou de cartões e do tempo de acréscimos concedido pela arbitragem.

Especialistas discordam das expulsões pedidas pelo Inter

A repercussão ganhou outro componente porque análises de arbitragem não foram unânimes com a reclamação colorada.

Renata Ruel, comentarista de arbitragem da ESPN, avaliou o lance de Allan com Félix Torres e considerou correta a decisão de não expulsar o jogador palmeirense. Segundo a especialista, a jogada não reunia elementos suficientes para caracterizar uma entrada passível de vermelho.

Paulo César de Oliveira também analisou as polêmicas no SporTV.

No lance envolvendo Barboza e Carbonero, PC Oliveira considerou que o defensor tentava ultrapassar o adversário caído e não enxergou uma conduta violenta ou agressão. Para ele, a punição máxima seria um cartão amarelo.

Felipe Melo, que participava da mesma discussão, discordou e afirmou considerar o lance passível de expulsão.

Ou seja, até entre especialistas houve diferenças de interpretação, algo que reforça o caráter controverso das jogadas.

Vitória já havia reclamado contra o Palmeiras

Jogador do Palmeiras, Mauricio em campo
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O episódio contra o Internacional não apareceu isoladamente.

No dia 29 de julho, o Vitória perdeu por 4 a 0 para o Palmeiras no Barradão em uma partida marcada por reclamações contra a arbitragem.

A principal queixa envolveu Maurício. O meia palmeirense atingiu Cacá em uma disputa e recebeu apenas cartão amarelo. O Vitória considerou que o jogador deveria ter sido expulso. Posteriormente, o atleta foi denunciado pela Procuradoria do STJD, e o clube baiano afirmou que a medida demonstrava que a equipe de arbitragem havia cometido um “grave equívoco”.

Na mesma partida, Cacá e Luan Cândido, do Vitória, acabaram expulsos.

Depois do jogo, o presidente Fábio Mota criticou publicamente a atuação da arbitragem e afirmou que ela havia desequilibrado a partida.

O Palmeiras reagiu às críticas e posteriormente também questionou a denúncia de Maurício no STJD, comparando o tratamento dado ao lance com outras jogadas ocorridas no futebol brasileiro.

Flamengo colocou números no debate

Bap e Leila Pereira, presidentes do Flamengo e Palmeiras
Foto: flickr Flamengo / Palmeiras

Poucos dias depois, a discussão ganhou proporções ainda maiores.

Em 1º de agosto, o Flamengo publicou uma nota oficial afirmando existir uma percepção de que o Palmeiras vem sendo beneficiado reiteradamente por decisões de arbitragem.

Para sustentar sua argumentação, o clube carioca citou levantamento do Espião Estatístico, do ge, sobre intervenções do VAR desde 2020. Segundo os dados reproduzidos pelo Flamengo, o Palmeiras acumulava 65 decisões alteradas a seu favor e 47 contrárias, saldo positivo de 18.

O próprio Flamengo reconheceu na nota que nenhum desses dados isoladamente comprova favorecimento.

O clube também mencionou números de cartões no Brasileirão de 2026 e afirmou que as estatísticas ajudavam a explicar por que o debate sobre o Palmeiras e a arbitragem continuava recorrente.

A declaração elevou o conflito porque Palmeiras e Flamengo são adversários diretos na disputa pelo título brasileiro.

Leila Pereira rebateu o Flamengo

A resposta do Palmeiras veio por meio de Leila Pereira. A presidente chamou a manifestação rubro-negra de “sem pé nem cabeça” e questionou por que o Flamengo havia entrado em uma discussão iniciada a partir da denúncia de Maurício no STJD.

Leila também citou a final da Libertadores de 2025, vencida pelo Flamengo sobre o Palmeiras, para rebater a ideia de que a equipe paulista seria sistematicamente favorecida.

O episódio transformou reclamações pontuais de arbitragem em uma disputa pública entre duas das principais diretorias do futebol brasileiro.

Afinal, o Palmeiras está sendo favorecido?

Com as informações disponíveis, não é possível afirmar isso como fato.

Existem reclamações públicas de adversários e dados estatísticos utilizados pelo Flamengo para sustentar sua argumentação. Isso é diferente de existir uma conclusão oficial de que árbitros ou o VAR estejam deliberadamente beneficiando o Palmeiras.

O próprio caso contra o Internacional demonstra a dificuldade.

Pezzolano enxergou dois lances para expulsão. Renata Ruel considerou que Allan não deveria receber vermelho, enquanto PC Oliveira também descartou expulsão de Barboza. Felipe Melo, por outro lado, teve interpretação diferente em um dos episódios.

O que existe de concreto é uma sequência de partidas em que decisões envolvendo jogadores do Palmeiras passaram a ser contestadas publicamente pelos adversários.

Em menos de duas semanas, Vitória, Flamengo e Internacional colocaram o tema em evidência. E, com o Palmeiras liderando o Brasileirão e disputando ponto a ponto o título com o Flamengo, cada novo lance controverso tende a ganhar uma dimensão ainda maior dentro e fora de campo.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.