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Palmeiras: Maurício chama atenção da Europa por seu desempenho na Copa, mas Verdão não quer negociar

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Maurício virou um dos nomes mais comentados do mercado sul-americano. O meia do Palmeiras chamou a atenção da Atalanta, da Itália. Também despertou o interesse de clubes da MLS. A diretoria alviverde, porém, já deixou claro que não pretende abrir conversas por seu principal reserva de meio-campo enquanto durar a Copa do Mundo.

Boa Copa do Mundo elevou a cotação do jogador

Naturalizado paraguaio, Maurício ajudou a seleção a avançar às oitavas de final do Mundial. Ele soma três jogos na competição, todos saindo do banco de reservas. Marcou um gol na partida contra os Estados Unidos. A boa fase ficou ainda mais evidente na vitória sobre a Alemanha nos pênaltis, quando ele converteu uma das cobranças decisivas.

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Esse protagonismo despertou a imprensa paraguaia. Já existe cobrança para que o jogador seja titular no confronto deste sábado. O Paraguai enfrenta França ou Suécia pelas oitavas de final. No Palmeiras, a realidade é bem diferente. Maurício é peça de rotação no time de Abel Ferreira e soma apenas 11 partidas no Campeonato Brasileiro nesta temporada.

Atalanta sinaliza oferta de R$ 106 milhões

Segundo apuração do jornalista Leandro Andrade, a Atalanta procurou o Palmeiras para demonstrar interesse na contratação do meia. O clube italiano sinalizou com uma proposta de 18 milhões de euros. O valor passa dos R$ 106 milhões na cotação atual. A cifra supera em muito a avaliação de mercado do jogador, estimada pela Transfermarkt em 15 milhões de euros.

A ESPN apurou ainda que equipes da MLS também monitoram a situação de Maurício. Nenhuma delas, porém, formalizou proposta até o momento. O interesse múltiplo reforça a valorização do meia. Ele chegou ao Palmeiras em 2024, vindo do Internacional. Desde então se tornou peça de confiança de Abel Ferreira, somando 105 jogos, 18 gols e 13 assistências pelo clube paulista.

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Discurso público e realidade nos bastidores

Mauricio em campo pelo Palmeiras
Cesar Greco/Palmeiras

Publicamente, o Palmeiras nega qualquer intenção de negociar o jogador. A diretoria alviverde reforça que Maurício está focado na disputa da Copa do Mundo. Nenhuma conversa deve ser aberta antes do fim do torneio. Essa é uma postura comum entre clubes brasileiros durante Mundiais. Negociar um atleta em plena disputa pode gerar desgaste com o elenco e com a torcida.

Nos bastidores, o cenário parece menos fechado. Caso uma oferta de 18 milhões de euros realmente chegue à mesa, o Palmeiras não descarta avaliar a venda. O valor bate com a meta orçamentária da diretoria. O clube estipulou a necessidade de arrecadar cerca de R$ 400 milhões em vendas nesta temporada. Um negócio dessa magnitude ajudaria a aproximar o Palmeiras dessa cifra sem comprometer peças consideradas titulares absolutas.

Faz sentido, do ponto de vista financeiro, que o Palmeiras trate a possível saída de Maurício com pragmatismo. Ele não é titular fixo no time principal. Tem contrato até dezembro de 2028. A valorização recente dificilmente vai se repetir fora do contexto de uma Copa do Mundo. Vender agora, por um valor bem acima da avaliação de mercado, é o tipo de operação que qualquer departamento de futebol organizado costuma priorizar.

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O Palmeiras já viveu situação parecida em outras janelas. Jogadores como Endrick e Estevão tiveram a cotação disparada logo após boas atuações em competições de destaque. O clube soube aproveitar esses momentos para negociar por valores acima da média do mercado. A lógica se repete agora com Maurício, ainda que em proporção menor. Uma Copa do Mundo bem disputada tende a valorizar qualquer atleta, e o Palmeiras tem histórico de vender justamente nesses picos de exposição.

O que muda depois do Mundial

O desfecho da novela deve esperar o fim da participação paraguaia na Copa. Enquanto isso, o Palmeiras segue de olho no calendário duplo de Brasileirão e competições continentais. Isso torna qualquer decisão sobre vendas ainda mais delicada. Perder um jogador de rotação por valor elevado pode ser positivo no caixa. Mas também reduz a profundidade de um elenco que precisa aguentar fisicamente um calendário apertado.

Se a Atalanta mantiver o interesse e formalizar a proposta nos termos sinalizados, a tendência é o Palmeiras aceitar negociar. Isso deve acontecer logo após o retorno de Maurício ao Brasil. Até lá, a diretoria segue repetindo o discurso de que o jogador não está à venda. Mesmo assim, sabe que o preço certo pode mudar essa posição rapidamente. No fim das contas, o mercado europeu costuma ter a última palavra quando o valor oferecido faz sentido nas contas do clube vendedor.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Tem experiência em jornalismo esportivo e de cidades e economia e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.