Arthur Melo voltou a ser um daqueles nomes que mexem com o mercado brasileiro. O volante, revelado pelo Grêmio, com passagens por Barcelona, Juventus, Liverpool, Fiorentina e Girona, está emprestado ao clube gaúcho até 30 de junho de 2026, mas ainda pertence à Juventus. Com contrato na Itália até junho de 2027, ele pode virar oportunidade para equipes com caixa e ambição no segundo semestre.
O Palmeiras apareceu em especulações recentes como um dos clubes atentos à situação. A presidente Leila Pereira já sondou o jogador em outro momento, segundo noticiário de mercado, mas ouviu resistência. Arthur tem vínculo afetivo com o Grêmio, voltou ao clube que o revelou e declarou publicamente o desejo de permanecer em Porto Alegre. Agora, que não renovou o contrato, outros cenários se formam.
A dificuldade, porém, agora é outra: custo. Para tirar o meio-campista da Juventus, o clube paulista teria que negociar com os italianos, convencer o jogador e assumir um pacote salarial muito acima da média do futebol brasileiro.
A Juventus deseja vender Arthur, não apenas emprestar novamente. A pedida gira entre 6 milhões e 7 milhões de euros. Na cotação atual, isso representa algo entre R$ 35 milhões e R$ 41 milhões apenas pela compra dos direitos econômicos.
Quanto custaria Arthur para o Verdão
O valor de transferência é só a primeira parte da conta. Arthur tem valor de mercado de 4 milhões de euros no Transfermarkt, cerca de R$ 25 milhões, mas a Juventus tenta receber acima dessa cotação por ainda ter contrato com o jogador até 2027.
Se Leila Pereira decidir avançar, o Palmeiras provavelmente precisaria trabalhar em uma faixa inicial de R$ 35 milhões a R$ 41 milhões para convencer a equipe italiana. Esse número poderia cair caso a Juve aceitasse reduzir a pedida perto do fim do contrato, mas o clube de Turim vem indicando que prefere uma venda definitiva.
Depois vem o salário, que é o ponto mais pesado. O UOL informou, em 2025, que Arthur ganhava quase R$ 4 milhões por mês na Juventus, em reportagem sobre o interesse do Santos. Já publicações ligadas ao mercado italiano trataram o salário do jogador na casa de € 4,5 milhões líquidos por temporada. Em termos práticos, qualquer clube brasileiro precisaria negociar uma redução relevante para tornar a operação viável.
Mesmo em um cenário mais conservador, com vencimentos em torno de R$ 2,5 milhões por mês, o custo anual passaria de R$ 30 milhões. Em um contrato de três temporadas, só a folha poderia chegar perto de R$ 90 milhões. Somando compra, luvas, comissões e encargos, o pacote total teria potencial para superar R$ 120 milhões.
Se o salário se aproximar mais do patamar antigo da Juventus, a conta passaria facilmente de R$ 150 milhões em médio prazo. Por isso, a pergunta não é apenas se o Palmeiras tem dinheiro para comprar. A pergunta é se faria sentido comprometer esse volume por um jogador de 29 anos, sem grande perspectiva de revenda.
Como joga Arthur Melo
Arthur é um meio-campista de controle. Atua principalmente como volante ou meia central, com função de organizar a saída de bola, proteger a posse e acelerar o jogo por passes curtos. Não é um jogador de muitos gols ou assistências. Seu valor está em outro lugar: circulação, pausa, tomada de decisão e capacidade de escapar da pressão.
No auge, entre Grêmio e Barcelona, ficou conhecido pela forma como recebia marcado, girava o corpo e mantinha a bola em segurança. É um atleta de poucos toques, passe limpo e inteligência para dar ritmo ao meio-campo. Também tem boa leitura para se posicionar atrás da linha da bola e oferecer opção constante aos zagueiros.
A passagem pela Europa, porém, foi irregular. Depois de sair do Grêmio para o Barcelona em 2018, em negócio de 31 milhões de euros, Arthur chegou à Juventus em uma operação envolvendo Miralem Pjanic. A partir dali, perdeu espaço, passou por empréstimos e conviveu com lesões e altos salários. Na Fiorentina, teve temporada mais consistente. No Girona, buscou minutos. No Grêmio, reencontrou protagonismo e virou capitão.
Para Abel Ferreira, o jogador poderia oferecer uma característica diferente. O Palmeiras tem intensidade, força física e verticalidade, mas nem sempre encontra um meio-campista capaz de controlar o ritmo em jogos de muita pressão. Arthur serviria para partidas em que o time precisa ter mais bola, sair da marcação alta e reduzir a quantidade de ataques do adversário.
O encaixe, porém, exigiria adaptação. O modelo de Abel cobra pressão, recomposição e capacidade de repetir esforços. Arthur não é um volante de campo aberto, nem um marcador de grandes arrancadas. Seu melhor uso seria ao lado de jogadores mais físicos, em uma estrutura que proteja seus limites e maximize sua qualidade com a bola.





