O Palmeiras chegou à Copa do Mundo de 2026 com um recorde histórico. São sete jogadores do elenco convocados por seleções estrangeiras, a maior marca do clube em uma mesma edição do torneio. A lista tem representantes de Paraguai, Uruguai, Argentina e Colômbia, mas o começo de Mundial foi bem diferente para cada um.
Até a tarde desta terça-feira, 16 de junho, apenas os paraguaios e uruguaios já haviam estreado. Gustavo Gómez, Mauricio e Ramón Sosa entraram em campo pelo Paraguai na derrota por 4 a 1 para os Estados Unidos. Joaquín Piquerez e Emiliano Martínez ficaram no banco no empate do Uruguai por 1 a 1 com a Arábia Saudita.
Flaco López ainda aguarda a estreia da Argentina contra a Argélia, marcada para esta terça-feira, às 22h, enquanto Jhon Arias será o último palmeirense a iniciar a caminhada, na quarta-feira, quando a Colômbia enfrenta o Uzbequistão.
O balanço inicial tem um destaque claro: Mauricio. O meia-atacante saiu do banco, marcou o único gol paraguaio contra os Estados Unidos e entrou para a história alviverde como o sexto jogador vinculado ao clube a balançar as redes em uma Copa do Mundo. Do outro lado, a estreia de Gustavo Gómez foi abaixo da expectativa, muito mais pelo colapso coletivo da defesa do que por um lance isolado.
Mauricio foi o primeiro palmeirense a brilhar
Mauricio começou a Copa como reserva do Paraguai, mas terminou a primeira rodada como o nome mais positivo entre os jogadores do Verdão que já entraram em campo. O meia foi acionado no segundo tempo da goleada sofrida para os Estados Unidos e marcou aos 27 minutos da etapa final.
O gol não mudou o resultado, mas teve peso individual e histórico. Foi o primeiro de um atleta do clube paulista em Mundiais desde 2014, quando Valdivia marcou pelo Chile contra a Austrália. Segundo levantamento do ge, o camisa alviverde entrou em uma lista que já tinha Vavá, Jair Rosa Pinto, Mazzola, Francisco Arce e o próprio chileno.
A atuação também pode mudar a hierarquia da seleção paraguaia. O time de Gustavo Alfaro foi dominado pelos norte-americanos, sofreu três gols no primeiro tempo e deve ter alterações para o duelo contra a Turquia. A comissão técnica já avalia mudanças em todos os setores, e Mauricio aparece como candidato a ganhar vaga entre os titulares.
No recorte palmeirense, é o jogador que mais se valorizou até agora. Entrou em um jogo praticamente perdido, mostrou presença ofensiva, marcou e saiu com a melhor impressão possível dentro de uma estreia coletiva ruim. Para o clube, a Copa começou com uma boa vitrine para um atleta que vinha buscando mais espaço também no cenário internacional.
Gómez teve estreia difícil como capitão paraguaio
Gustavo Gómez entrou no Mundial como capitão, referência defensiva e principal liderança do Paraguai. A estreia, porém, foi dura. A Albirroja perdeu por 4 a 1 para os Estados Unidos, sofreu demais com a velocidade do ataque adversário e viu seu sistema defensivo ser bastante cobrado.
O zagueiro jogou os 90 minutos, mas não teve atuação de destaque. O ge registrou uma pontuação baixa no Cartola da Copa, com apenas um desarme, duas faltas cometidas e pouca influência positiva em uma partida controlada pelos donos da casa.
A decepção, nesse caso, passa pelo contexto. Gómez não deixou de ser o principal nome defensivo do Paraguai, mas a expectativa sobre ele era maior. Em uma seleção que costuma se apoiar na solidez, sofrer quatro gols logo na estreia pesa diretamente sobre o capitão e sobre toda a linha de defesa.
Ainda assim, a tendência é que o defensor siga como titular. A experiência, a faixa de capitão e a liderança dentro do grupo continuam a favor do jogador alviverde. O problema é que a segunda rodada virou jogo de pressão. Contra a Turquia, o Paraguai precisará de resposta imediata para não chegar à última partida dependendo de combinação complicada.
Ramón Sosa entrou pouco e quase não apareceu
Ramón Sosa também participou da estreia paraguaia, mas teve pouco tempo para mudar o jogo. O atacante entrou aos 33 minutos do segundo tempo, quando a partida já estava bastante encaminhada, e não conseguiu criar uma jogada de impacto.
O camisa do Verdão sofreu uma falta, teve participação discreta e terminou com avaliação baixa. Não dá para tratá-lo como decepção no mesmo nível de quem começou jogando, porque entrou em cenário ruim e com poucos minutos disponíveis. Ainda assim, a estreia não ajudou a aumentar sua disputa por vaga.
Sosa chegou à Copa como uma opção de velocidade para o segundo tempo. Antes do torneio, havia expectativa de que pudesse ganhar mais espaço por causa de problemas físicos de concorrentes no setor ofensivo. A primeira partida, porém, indicou que Mauricio saiu na frente nessa briga interna.
Para o Palmeiras, o atacante segue sendo uma vitrine possível, mas ainda precisa de um jogo mais longo para mostrar algo no Mundial. Se Alfaro mexer no time contra a Turquia, ele pode ganhar minutos. Se permanecer como opção final de banco, sua Copa tende a ser mais discreta.
Uruguai deixou Piquerez e Emiliano Martínez no banco

O Uruguai estreou com empate por 1 a 1 contra a Arábia Saudita, em Miami, mas os dois representantes alviverdes não foram utilizados por Marcelo Bielsa. Piquerez e Emiliano Martínez começaram no banco e permaneceram entre os reservas durante toda a partida.
No caso do lateral-esquerdo, a decisão tem relação com condição física e concorrência. Piquerez passou por um problema no tornozelo direito antes da Copa e chegou ao torneio como nome disponível, mas ainda em recuperação final de ritmo. Bielsa optou por Matías Viña, ex-Palmeiras e ex-Flamengo, como titular da posição.
A escolha não representa necessariamente uma queda definitiva na hierarquia, mas mostra que o camisa alviverde ainda precisa recuperar confiança competitiva dentro da seleção. Para um jogador acostumado a ser titular no clube paulista, ficar no banco em uma estreia de Copa reduz a vitrine inicial.
Emiliano Martínez vive situação parecida, embora por outro motivo. O volante chegou ao Mundial com moral por atuações recentes, mas enfrenta concorrência pesada no meio uruguaio. Federico Valverde, Manuel Ugarte, Rodrigo Bentancur e outros nomes tornam a disputa difícil. Na estreia, Bielsa preferiu manter a estrutura e não acionou o jogador do Verdão.
A dupla não decepcionou em campo porque não jogou. Mas, em termos de exposição, ficou atrás dos paraguaios. O empate do Uruguai deixa o grupo aberto, e isso pode aumentar a chance de mudanças na segunda rodada contra Cabo Verde.
Flaco López e Jhon Arias ainda não estrearam
Flaco López entra na Copa em um cenário de expectativa controlada. O atacante foi convocado por Lionel Scaloni depois de viver grande fase no Palmeiras, mas começa atrás de nomes consolidados na Argentina, especialmente Lautaro Martínez e Julián Álvarez.
A estreia argentina contra a Argélia será o primeiro teste para entender se o centroavante terá minutos reais ou se será opção apenas em situações específicas. Pelo momento no clube, há argumento para que seja utilizado. Pela força do elenco campeão mundial, a concorrência é muito alta.
Jhon Arias vive situação diferente. O meia-atacante chega à Colômbia com status mais consolidado e foi destaque nos amistosos de preparação, especialmente ao marcar duas vezes contra a Jordânia. A expectativa é que tenha participação relevante na estreia contra o Uzbequistão.
Entre os que ainda não jogaram, Arias é o palmeirense com maior chance de virar protagonista rapidamente. Tem mais espaço na seleção colombiana do que Flaco na Argentina e vem de atuação forte antes da Copa. Para o Verdão, é também uma vitrine importante, já que o jogador foi contratado por valor alto e ainda busca transformar a boa fase internacional em protagonismo no segundo semestre alviverde.
Balanço inicial dos palmeirenses na Copa
Depois dos primeiros jogos, o resumo é claro. Mauricio foi o destaque, por ter marcado e aumentado suas chances de titularidade no Paraguai. Gómez ficou abaixo da expectativa, afetado pela goleada sofrida para os Estados Unidos. Ramón Sosa teve participação pequena e sem impacto. Piquerez e Emiliano Martínez ainda aguardam minutos pelo Uruguai. Flaco e Arias sequer estrearam.
Agustín Giay merece uma observação à parte. O lateral-direito participou de amistosos da Argentina e foi tratado como opção em caso de corte por lesão, mas não faz parte da lista final de 26 convocados. Portanto, não entra oficialmente na conta dos sete atletas do Palmeiras na Copa.
Para o clube paulista, a presença numerosa no Mundial tem dois efeitos. O primeiro é esportivo: mostra a força internacional do elenco montado por Abel Ferreira. O segundo é de mercado: cada minuto em Copa aumenta exposição, valoriza ativos e coloca jogadores sob observação de clubes estrangeiros.


