O Palmeiras definiu o zagueiro Nino, atualmente no Zenit, como o alvo prioritário para elevar o patamar de sua linha defensiva na janela de transferências de julho. Sob a chancela de Abel Ferreira, que busca um defensor experiente e com “nível de seleção”, o clube paulista tenta destravar uma operação complexa que envolve valores vultosos e a resistência do clube russo em liberar um de seus pilares defensivos antes do ciclo de 2026.
A negociação entrou em um estágio de medição de forças financeiras. Enquanto o Palmeiras sinalizou com uma proposta de 15 milhões de euros (cerca de R$ 87,5 milhões), o Zenit faz jogo duro e fixou a pedida em 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 117 milhões).
O histórico de um interesse antigo
Nino não é um nome novo na lista de desejos da Academia de Futebol. O monitoramento começou ainda em fevereiro, quando o Palmeiras enviou emissários aos Emirados Árabes para sondar a situação do atleta durante a pré-temporada russa. Na época, o Zenit foi categórico ao afirmar que não negociaria o defensor antes do término do Campeonato Russo.
Agora, com o fim da temporada local na Rússia, a janela de oportunidade se abriu. Para o Zenit, o lucro potencial é enorme: o clube comprou Nino do Fluminense em 2024 por cerca de R$ 27 milhões. Uma venda agora, mesmo pelo valor inicial oferecido pelo time de Abel, representaria um retorno financeiro imediato e expressivo sobre o investimento original.
O “Cérebro” Defensivo: Como Nino se encaixa com Abel
Diferente de uma contratação para “compor elenco”, Nino é visto como titular absoluto. Suas características técnicas casam perfeitamente com a exigência de Abel Ferreira por uma saída de bola qualificada e liderança em campo:
- Construção de Jogo: Nino possui um passe vertical que quebra linhas, permitindo que o Palmeiras saia da pressão sem depender apenas de lançamentos longos.
- Versatilidade Tática: Sua chegada permite a Abel variar entre uma linha de quatro defensores ou um sistema com três zagueiros (3-4-3 ou 3-5-2), onde Nino atuaria pela direita ou centralizado, liberando Murilo para avançar pela esquerda.
- Experiência em Decisões: O currículo como capitão em títulos de Libertadores e passagens pela Seleção Brasileira traz a “casca” necessária para os momentos agudos da temporada.
Efeito Dominó: Quem perde espaço no elenco?

A provável chegada de Nino, somada ao avanço nas negociações pelo argentino Alexander Barboza, deve provocar uma reformulação na hierarquia defensiva do Verdão. O nome mais cotado para uma saída é o de Bruno Fuchs.
O zagueiro, ex-Atlético-MG, poderia se tornar uma peça negociável para que o Verdão recupere parte do investimento feito em sua contratação. Com a consolidação de Murilo e Gustavo Gómez, além do crescimento do jovem Benedetti, a concorrência no setor atingiria um nível de elite, tornando insustentável a manutenção de tantos jogadores de alto custo para poucas vagas.
Vale lembrar que Barboza já completou 10 jogos no Brasileirão e o Palmeiras corre contra o tempo para fechar o negócio antes que ele atinja o limite de 13 partidas, o que impediria sua transferência nacional em 2026.
A conta final: Vale o investimento?
Pagar R$ 117 milhões por um zagueiro de 29 anos é um movimento ousado que divide opiniões. Contudo, o Palmeiras parece disposto a esticar a corda financeira por entender que Nino é um “jogador pronto”. Em um mercado inflacionado, encontrar um defensor que conheça o futebol brasileiro, tenha vigor físico e liderança imediata é uma tarefa difícil.
O desfecho da negociação dependerá da capacidade do Palmeiras em convencer os russos a aceitarem um valor intermediário ou uma estrutura de bônus por metas. De qualquer forma, o recado de Abel Ferreira é claro: para buscar o topo na Libertadores e no Brasileirão, a defesa precisa ser impecável.


