A iminente contratação de Alexander Barboza pelo Palmeiras cria um “bom problema” tático para Abel Ferreira. Porém, acende um alerta imediato nos bastidores do mercado da bola. Embora o clube não tenha a obrigação financeira de vender ninguém, a chegada do argentino aumenta drasticamente a pressão por uma saída no setor defensivo do Palmeiras.
Para antecipar o movimento do Cruzeiro e evitar um leilão desgastante, a diretoria alviverde avançou para pagar US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões). O objetivo era tirar Barboza do Botafogo já na janela do meio do ano. O detalhe crucial é que o argentino não chega para compor banco de forma passiva. Ele desembarca em um setor que já é caro, forte e extremamente competitivo para o elenco do Palmeiras.
O Raio-X da Zaga: Quem entra na guilhotina do mercado?
Atualmente, Abel Ferreira trabalha com uma hierarquia muito bem definida no elenco do Palmeiras. Gustavo Gómez e Murilo formam a dupla titular intocável, com Bruno Fuchs consolidado como o reserva imediato e o jovem Benedetti correndo por fora.
Com a chegada de Barboza, o efeito dominó afeta cada peça de forma diferente:
- A bola da vez (Benedetti): É o nome mais provável para gerar caixa. Aos 19 anos, o zagueiro recebe sondagens constantes do futebol internacional. Com uma multa rescisória fixada em 100 milhões de euros e um valor base de mercado avaliado em € 4 milhões pela plataforma Transfermarkt, o Verdão tem a chance de transformar um ativo da base em dinheiro vivo sem desmontar a estrutura titular do Palmeiras.
- O ameaçado (Bruno Fuchs): Avaliado em € 5 milhões, Fuchs tem prestígio interno. Mas Barboza chegaria exatamente para roubar o seu papel de “terceiro zagueiro” com nível de titularidade. Embora não haja desespero para vendê-lo, uma proposta vantajosa seria vista com ótimos olhos pela diretoria.
- Os intocáveis (Gómez e Murilo): Gustavo Gómez (avaliado em € 4 milhões) segue como o pilar mental e técnico do time. Enquanto isso, Murilo (€ 5 milhões) é tratado como titular absoluto. Tirar um dos dois logo após investir R$ 20 milhões em Barboza anularia o ganho esportivo da operação.
O “Fator Nino” e o excesso calculado
Curiosamente, o departamento de futebol do Palmeiras não considera o excesso de zagueiros um problema a curtíssimo prazo. Tanto que a busca por nomes como Nino também movimentou os bastidores recentes. A lógica é garantir profundidade máxima para sobreviver ao moedor de carne do calendário, que intercala Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. Assim, o Palmeiras demonstra planejamento de longo prazo.
Contudo, a gestão de vestiário cobra o seu preço. Uma coisa é ter cinco zagueiros de altíssimo nível à disposição. Outra, muito mais difícil, é manter todos satisfeitos com a minutagem em campo. A tendência mais racional é que a janela de julho traga não apenas a apresentação de Barboza. Mas também a despedida lucrativa de uma das crias da Academia que pertencem ao Palmeiras.