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Palmeiras consegue chegar aos R$ 300 milhões? Leapmotor ajuda

O acordo entre Palmeiras e Leapmotor não é apenas mais uma troca de marca na camisa. É um movimento que revela onde o dinheiro está entrando no futebol brasileiro em 2026. A montadora vai ocupar as costas do uniforme masculino, feminino e da base até março de 2028, em um contrato de R$ 20 milhões fixos por temporada, com variáveis que podem levar o total a R$ 50 milhões. Para o clube, isso ajuda a empurrar o uniforme para mais de R$ 300 milhões por ano em receitas.

A invasão chinesa encontrou no Palmeiras um outdoor premium

O ponto central da pauta não é só o patrocínio, mas o setor de onde ele vem. A Leapmotor é uma marca chinesa de veículos eletrificados operada no Brasil pela Stellantis, que já confirmou a produção local a partir de 2026. O mercado brasileiro de eletrificados fechou 2025 com 223.912 unidades vendidas — alta de 26% sobre 2024. Quando um setor cresce nessa velocidade, ele precisa de vitrine e associação emocional. O futebol entrega exatamente isso.

E o Palmeiras não está sozinho nessa tendência. Em 2026, a BYD fechou com Corinthians e Bahia, enquanto a GAC entrou no uniforme do Flamengo. As montadoras chinesas não estão comprando apenas espaço publicitário — estão disputando território simbólico em torcidas gigantes e ambientes de consumo de massa. O campo virou extensão da guerra pelo mercado automotivo brasileiro.

Por que o Palmeiras virou peça central dessa disputa

Do ponto de vista de negócio, a escolha faz sentido. O clube encerrou 2025 com R$ 213,6 milhões em receitas de patrocínio, crescimento de 42% sobre o ano anterior. A Leapmotor entra como a segunda parceria mais lucrativa do uniforme, atrás apenas da Sportingbet.

Há outro detalhe importante nessa engenharia. O clube transforma uma propriedade que ficou vaga após a saída da Fictor — em recuperação judicial — em ativo de alto valor outra vez. Não é apenas receita nova, mas recuperação rápida de inventário comercial. A estrutura do contrato também permite bonificações por metas e projetos ligados à Lei Federal de Incentivo, o que amplia o alcance do negócio para além do cheque direto do patrocinador.

Onde está o dinheiro de verdade

O dinheiro real não está só nos R$ 20 milhões anuais. Está no encontro entre três forças: a expansão das montadoras chinesas, a corrida pela eletrificação no Brasil e a capacidade do Palmeiras de transformar performance esportiva em ativo de marca.

A Leapmotor compra atenção nacional no momento em que se estrutura para crescer no país. O Palmeiras monetiza sua liderança esportiva e estabilidade comercial para atrair setores que antes olhavam o futebol com mais distância. O patrocínio é o fato visível. O negócio por trás é a ocupação de mercado.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.