A vitória do Palmeiras sobre o Bahia por 2 a 1, fora de casa, não serviu apenas para consolidar a força do time de Abel Ferreira no Brasileirão. Ela também abriu espaço para um novo desabafo do treinador sobre um tema que vem incomodando o clube há semanas: o calendário do futebol brasileiro. Depois do jogo em Salvador, Abel afirmou que sente falta de Vitor Roque e Paulinho até mesmo quando eles não têm condição de atuar e disse que o Paulistão deixou “marcas pesadas” no elenco alviverde.
O argumento que Abel usou para bater no calendário
O ponto mais forte da coletiva veio quando o treinador ampliou a discussão para além do próprio Palmeiras. Abel disse que não pede uma semana livre entre partidas, mas ao menos três dias de descanso para que os times possam entregar intensidade e qualidade. Na avaliação dele, a combinação entre calendário apertado e viagens longas prejudica a isonomia do Brasileirão, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.
O técnico usou como exemplo recente a queda de rendimento do time contra o Vasco. Segundo ele, o Palmeiras fez um bom primeiro tempo, mas depois foi superado “taticamente, fisicamente e tecnicamente” — cenário agravado por vários jogadores indisponíveis.
“Eu sinto falta deles, (Vitor Roque e Paulinho), quero eles sempre comigo, mesmo que não seja para jogar. O Paulistão deixou marcas pesadas na nossa equipe”, disse.
A maratona que o Palmeiras tem pela frente
O argumento encontra respaldo imediato no calendário. A equipe iniciou contra o Grêmio uma maratona de 18 jogos em dois meses até a paralisação para a Copa do Mundo — nove partidas em abril e outras nove em maio, com compromissos por Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil.
No recorte mais imediato, o time saiu de Salvador e agora enfrenta viagem para Cartagena, na Colômbia, antes de voltar ao Brasil para o clássico contra o Corinthians poucos dias depois.
Paulinho e Vitor Roque como retrato do elenco incompleto

Quando Abel cita Paulinho e Vitor Roque, ele não fala só de dois atacantes. Usa os dois como retrato de um elenco que ainda não conseguiu ficar inteiro. Vitor Roque, Paulinho e Figueiredo estão em fase de recondicionamento físico, enquanto Piquerez se recupera de cirurgia no tornozelo e Jefté trata lesão muscular na coxa direita.
O Palmeiras entra em um dos trechos mais pesados da temporada ainda sem força máxima à disposição.
O recado político por trás da reclamação
O discurso de Abel ganhou um tom mais político desta vez. Não foi apenas uma reclamação de treinador após jogo duro fora de casa — foi uma cobrança por mudança estrutural em um momento em que o Palmeiras tenta sustentar a liderança, recuperar jogadores e atravessar um calendário que promete consumir o elenco.
A mensagem é clara: não basta cobrar espetáculo se o sistema não oferece condições mínimas para preservar os atletas.