O Palmeiras já sabe que a lesão de Joaquín Piquerez foi grave e agora também trabalha com uma frente fora das quatro linhas. Segundo o ge, o lateral teve constatada uma ruptura ligamentar no tornozelo direito, passará por cirurgia e abriu caminho para o acionamento do FIFA Club Protection Programme, mecanismo criado para compensar clubes que perdem jogadores em serviço das seleções.
A dúvida central, porém, não é se a regra existe. É quanto o clube pode receber e em que condições. E a resposta passa por uma trava importante que impede qualquer cálculo apressado neste momento.
Regra da Fifa exige afastamento mínimo
O programa da Fifa cobre atletas convocados para seleções principais em partidas internacionais e também no chamado “operative time”, que inclui o período da apresentação até o retorno do jogador ao clube, com a viagem direta incluída. Como Piquerez se machucou no amistoso entre Uruguai e Inglaterra, em Wembley, o caso entra no escopo da proteção.
Mas existe uma trava decisiva: o ressarcimento só é devido quando a incapacidade ultrapassa 28 dias consecutivos. A própria circular oficial da Fifa diz que os primeiros 28 dias ficam fora da cobertura, e o ge informou que o Palmeiras já acionou o mecanismo partindo da expectativa de que o lateral ficará afastado por prazo superior a esse limite.
Valor tem teto alto, mas não é automático
O programa prevê compensação de até € 7,5 milhões por jogador e por acidente, com teto diário de € 20.548, por no máximo 365 dias. Só que esse número não é o valor automático do caso. Ele representa o limite máximo do seguro.

O cálculo real é feito sobre o salário fixo do atleta pago diretamente pelo clube. A Fifa exclui bônus, luvas, premiações, metas e qualquer parcela variável ou pontual. Em outras palavras, o Palmeiras pode ser indenizado, mas o valor final dependerá de duas variáveis que hoje não são públicas: o tempo total de recuperação e o salário contratual fixo de Piquerez.
Isso é o que impede uma cifra fechada agora. Sem prazo oficial de retorno e sem divulgação salarial, qualquer conta definitiva seria especulação. O que já dá para afirmar com segurança é que o clube tem base regulatória para pedir o ressarcimento se a recuperação ultrapassar o período de carência.
Mecanismo já ajudou gigantes da Europa
O programa está longe de ser apenas teórico. Em 2014, a ESPN noticiou que a Fifa cobriria o salário de Neymar no Barcelona após a lesão sofrida na Copa do Mundo, com pagamento estimado em € 13.972 por dia com base no salário usado no programa.
Mais recentemente, a imprensa internacional também informou que o Barcelona teria direito a cerca de € 3 milhões pela lesão de Ronald Araújo com o Uruguai em 2024, dentro do mesmo mecanismo de proteção a clubes. Esses precedentes ajudam a dimensionar o caso palmeirense: a indenização existe e já foi usada em situações de alto impacto.
O que muda para o Palmeiras agora
Mesmo que o clube recupere parte do custo salarial, o dano esportivo continua pesado. Piquerez é titular de um setor importante, e sua ausência obriga Abel Ferreira a reorganizar a lateral esquerda em um trecho de calendário mais apertado. O ressarcimento ajuda no caixa, mas não devolve ao time o equilíbrio técnico que o uruguaio oferece.
No próximo compromisso, o Palmeiras enfrenta o Grêmio na quinta-feira, 2 de abril, às 21h30, na Arena Crefisa Barueri, pela 9ª rodada do Brasileirão, com transmissão de Globo, Premiere e getv. A discussão jurídica até pode aliviar a perda financeiramente, mas o problema imediato do Verdão segue sendo de campo.