O departamento de futebol do Palmeiras já tem o mapa financeiro e tático desenhado para repatriar o zagueiro Nino na próxima janela de transferências. O clube paulista avançou nas tratativas com os representantes do atleta, definindo as bases de salário, luvas, premiações e tempo de contrato.
Com a parte mais sensível do lado do jogador praticamente pacificada, o grande desafio da diretoria alviverde agora é encontrar o ponto de equilíbrio comercial com o Zenit, da Rússia, sem comprometer o rigoroso teto de gastos do elenco. Só que agora Anderson Barros confirmou a possibilidade.
A matemática do negócio: operação pode custar até R$ 90 milhões aos cofres alviverdes
A régua financeira estipulada pelos russos varia de acordo com o timing do mercado. Durante o início do ano, o Zenit segurou o defensor devido à disputa pelo título local. Agora, para a janela do segundo semestre, os valores trabalhados nos bastidores começam a ganhar contornos mais nítidos e desafiadores.
A negociação gravita em torno dos seguintes cenários:
- O cenário base: Avaliações recentes apontam que o clube russo trabalha com uma pedida entre € 10 milhões e € 12 milhões (faixa aproximada de R$ 60,7 milhões a R$ 72,9 milhões).
- O cenário esticado: Em compassos mais duros da negociação, a exigência do Zenit pode bater no teto dos € 15 milhões (cerca de R$ 90 milhões na cotação atual), valor que o Palmeiras chegou a topar no início do ano.
A diretoria trabalha com a consciência de que a compra exigirá um aporte pesado, além de uma engenharia salarial meticulosa. Como a folha de pagamento do clube atingiu um limite após os reforços da última temporada, o contrato de Nino deve ser estruturado com custos diluídos em luvas e bônus por metas, garantindo um pacote competitivo em relação ao mercado europeu sem inchar o salário fixo mensal.
O xadrez de Abel Ferreira: como Nino eleva o patamar tático da defesa

Se o investimento financeiro é agressivo, o retorno técnico justificado pela comissão de Abel Ferreira é imediato. O treinador português não enxerga o ex-Fluminense como uma simples peça de reposição, mas como um defensor de elite capaz de dar maior elasticidade tática ao sistema de jogo palmeirense.
Historicamente, Abel alterna a estrutura do time entre uma linha de dois e uma trinca de zagueiros para ajustar o controle da saída de bola. Nino preenche exatamente essa lacuna, entregando duas virtudes cruciais: leitura inteligente de cobertura e saída de jogo limpa e construtiva desde a base.
No desenho tático alviverde, o zagueiro poderia ser acionado de duas formas estratégicas:
- Em uma linha de quatro (dupla de zaga): Atuaria pela direita, assumindo o papel de construtor principal. Isso liberaria Gustavo Gómez ou Murilo para serem mais agressivos nas “caçadas” e nos duelos físicos fora da área.
- Em uma linha de cinco (trinca de zaga): Jogaria como zagueiro central ou pela direita, garantindo o equilíbrio entre proteção e perseguição. Sua facilidade com a bola nos pés permitiria que Abel baixasse um lateral para defender, liberando o ala do lado oposto com total segurança na transição.
Nino é o perfil de atleta que amplia o cardápio do treinador em jogos pesados da Libertadores e do Brasileirão. Em confrontos de pressão alta, o zagueiro tem a frieza necessária para encontrar passes entre as linhas rivais, evitando chutões. O esforço da diretoria reflete essa leitura: o clube aguarda o “tempo certo” do mercado russo porque sabe que está investindo em um jogador de Seleção capaz de redefinir o nível de segurança da equipe em 2026.