O departamento de futebol do Palmeiras trouxe a público detalhes inéditos sobre a negociação que quase resultou na saída de Abel Ferreira para o Catar. Em declaração oficial, o diretor Anderson Barros confirmou que o treinador português chegou a firmar um compromisso formal com o Al Sadd, transformando o que antes era tratado como especulação em um complexo imbróglio jurídico internacional.
A revelação ocorre em um momento de novo desgaste disciplinar do treinador, que volta a ser alvo da justiça desportiva brasileira após expulsão em clássico recente.
Anderson Barros admite compromisso com Al Sadd e acordo de € 5 milhões na Fifa
A gestão alviverde confirmou que a saída de Abel Ferreira no final de 2023 foi um cenário real e documentado. Segundo Anderson Barros, o técnico “assumiu um compromisso, sim, com o clube qatari”, o que gerou uma ofensiva jurídica da equipe do Oriente Médio na entidade máxima do futebol.
O Al Sadd acionou a Fifa em 2024 exigindo uma indenização de € 5 milhões (aproximadamente R$ 30 milhões), alegando o descumprimento de um pré-contrato assinado antes da renovação de Abel com o Palmeiras.
A disputa só foi encerrada definitivamente em agosto de 2025. O Palmeiras costurou um acordo que envolveu a divisão dos direitos econômicos do atacante Giovani, evitando o desembolso direto da multa milionária por parte do treinador ou dos cofres do clube paulista.
Palmeiras e Abel Ferreira: O peso do projeto esportivo e a blindagem de Leila Pereira
A decisão de Abel Ferreira em recuar da transferência para o Catar foi pautada por fatores que transcendem as cifras financeiras extraordinárias oferecidas na época. O treinador justificou a permanência com base na relação de confiança estabelecida com o elenco, staff e torcida.
A estabilidade institucional proporcionada pela gestão de Leila Pereira e o alinhamento estratégico com Anderson Barros foram pilares decisivos. Abel reiterou publicamente que sua palavra “vale mais que uma assinatura”, optando pela continuidade de um projeto que o consolidou como peça estrutural da Sociedade Esportiva Palmeiras, e não apenas um técnico de resultados sazonais.
Desgaste no STJD e o recorde de 35 cartões desde a sua chegada em 2020
Apesar da blindagem interna, o comportamento de Abel Ferreira à beira do campo volta a gerar preocupação na diretoria. O técnico foi denunciado pelo STJD com base no artigo 258 do CBJD após sua expulsão no clássico contra o São Paulo. A procuradoria destacou a reincidência do português, que corre o risco de pegar uma suspensão de um a seis jogos.
O levantamento estatístico anexo à denúncia é contundente: desde 2020, Abel acumula 30 cartões amarelos e cinco vermelhos, superando a marca de qualquer atleta do elenco palmeirense ou treinador no país no mesmo período.
Embora Barros defenda institucionalmente o profissional, a cúpula do Palmeiras já admite internamente a necessidade de correções de conduta. O estresse crescente com a rotina de julgamentos e suspensões é monitorado como um fator de risco que pode, no futuro, pesar em favor de propostas do exterior em mercados com ambientes menos conflagrados.
Próximo Jogo O Palmeiras volta a campo no dia 2 de abril, às 21h30, para enfrentar o Grêmio, na Arena Barueri, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro.