HomeEsportesPalmeirasAbel Ferreira detona como funciona o futebol brasileiro após vitória do Palmeiras

Abel Ferreira detona como funciona o futebol brasileiro após vitória do Palmeiras

O Palmeiras voltou a vencer no Allianz Parque ao bater o Mirassol, mas o assunto principal da noite passou longe das quatro linhas. Na entrevista coletiva, o técnico Abel Ferreira voltou a apontar a sua metralhadora giratória para o calendário do futebol brasileiro.

Avaliando a queda de rendimento da equipe, especialmente no segundo tempo, o treinador português foi categórico ao resumir a maratona imposta aos clubes do país: “É inacreditável o que fazem com os jogadores”. A frase não é um protesto isolado, mas a admissão pública de que o atual bicampeão brasileiro já está sentindo o peso físico da temporada 2026.

A matemática da exaustão e a falta de isonomia

Abel fez questão de usar os números para provar que a sua bronca vai além de um simples “choro” de pós-jogo. O ponto central da sua crítica não é apenas a quantidade de partidas, mas a profunda desigualdade de descanso entre as equipes.

O abismo físico: O treinador expôs que, enquanto o Mirassol disputou apenas três jogos em um intervalo de 30 dias, o Palmeiras entrou em campo oito vezes no mesmo período.

O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do G Novorinzontino
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

A cobrança desleal: Para o português, a falta de isonomia no calendário cria jogos em condições físicas completamente desiguais, exigindo um nível de intensidade e concentração quase “desumano” de um único lado do campo.

O fator gramado: Além da falta de tempo para recuperação, Abel voltou a bater na tecla da qualidade dos campos pelo país, que exigem um esforço muscular adicional e elevam o risco de lesões no grupo.

A vitória do Palmeiras: A estratégia por trás do desabafo

Fazer críticas duras após uma vitória é um movimento clássico e calculado de gestão de crise. Ao colocar o foco da coletiva no desgaste imposto pelo calendário, Abel Ferreira protege o seu grupo de jogadores.

O treinador divide a pressão com o sistema, impedindo que a queda de intensidade na segunda etapa seja interpretada pela torcida e pela imprensa como “falta de vontade”, acomodação ou má fase técnica. A mensagem interna é clara: o time está correndo no limite do seu tanque de combustível.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.