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Por que o Palmeiras se recusa a vender jogador nem por € 40 milhões

O Palmeiras conquistou o Campeonato Paulista neste fim de semana e, nos escritórios da Academia de Futebol, a diretoria já levantou um escudo intransponível contra o assédio europeu. A presidente Leila Pereira bateu o martelo: o meia-atacante Allan não será negociado em 2026, mesmo que uma proposta na casa dos € 40 milhões (cerca de R$ 240 milhões) pouse na mesa do clube.

A postura irredutível não é um blefe. Em janeiro, o Verdão já havia recusado uma investida pesada do Napoli, da Itália, avaliada em € 35 milhões (R$ 218 milhões), alegando que o foco da temporada era estritamente esportivo. Agora, o recado para a janela internacional do meio do ano é ainda mais duro.

O paradoxo do mercado e o “Padrão Endrick”

A estratégia alviverde escancara um fenômeno interessante do mercado da bola. Segundo a última atualização do portal Transfermarkt, em dezembro de 2025, o valor de mercado estimado de Allan é de € 10 milhões. No entanto, o Palmeiras ignora essa métrica e precifica o atleta pela lógica da escassez e do potencial.

A diretoria quer aplicar a mesma “venda padrão” utilizada nas negociações de Endrick e Estêvão. O clube entende que Allan é um ativo premium e exige uma compensação financeira agressiva (com alta taxa fixa e garantias), recusando-se a vender uma joia com preço de promessa comum.

A blindagem do calendário de Abel Ferreira

Além da matemática financeira, há um fator prático que trava qualquer saída: a urgência esportiva de Abel Ferreira.

Foto: Cesar Grecco – Palmeiras

O Palmeiras entra agora no moedor de carne do calendário de 2026, dividindo atenções entre Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil. Com um elenco considerado “curto” para tantas frentes, Allan virou uma engrenagem vital. Sua intensidade, capacidade de condução de bola e versatilidade tática o transformaram em uma peça de rotação fundamental para jogos que exigem agressividade e transição rápida. Desmontar o time no meio do ano está fora de cogitação.

O Palmeiras aprendeu a jogar um jogo que quase nenhum outro clube sul-americano consegue: o de não vender por ansiedade. Quando a diretoria avisa que não libera o jogador “nem por € 40 milhões”, ela inverte a lógica da negociação. É o clube brasileiro ditando as regras para o mercado europeu.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.