Quem esperava um Abel Ferreira relaxado após vencer o clássico contra o São Paulo por 3 a 1, enganou-se. O treinador do Palmeiras usou a coletiva na Arena Barueri não para celebrar, mas para enviar um “telegrama urgente” à diretoria de Leila Pereira. Com a frieza habitual, Abel traçou o diagnóstico de 2026: o elenco está desequilibrado.
A frase que ecoa nos bastidores é matemática pura: “Saíram quatro e entrou um”. Ao expor essa conta publicamente, Abel tira a responsabilidade de seus ombros e joga a pressão para o departamento de futebol. O recado é claro: o “milagre” da vitória no clássico não vai durar a temporada toda se o time não for reforçado.
O Caso Raphael Veiga no Palmeiras: Adeus ou Fico?
A tensão aumentou quando o assunto foi Raphael Veiga. O camisa 23 é alvo do América do México, que estuda uma operação que pode chegar a US$ 13 milhões (cerca de R$ 69,6 milhões) no pacote total. Abel foi sincero até demais. Disse que “conta com o jogador”, mas usou um exemplo doloroso para a torcida: Weverton.

“Eu também contava com o Weverton, e ele tomou outra decisão”, lembrou o técnico, citando a saída do goleiro para o Grêmio (negociação recente de 2026). Isso mostra que Abel sabe que não tem controle. Se a proposta bater o valor que o Palmeiras quer (algo na casa de US$ 10 milhões / R$ 53 milhões limpos para o clube), Veiga pode fazer as malas.
A Matemática do Caos
Por que Abel está pressionando agora?
- A Saída de Peças: O Palmeiras perdeu referências (Weverton, Bruno Rodrigues encaminhado, entre outros) e a reposição tem sido lenta ou apostas (como Marlon Freitas).
- O Risco Veiga: Perder o cérebro do time no meio do estadual obrigaria o Palmeiras a ir ao mercado desesperado. E mercado desesperado significa pagar o dobro por um jogador pior.
- A Sombra de Novorizontino: Abel sabe que a goleada de 4 a 0 não foi um acidente, foi um aviso de que o “cobertor está curto”.
O Recado para Leila e Barros
Ao dizer “não é da minha competência contratar”, Abel faz o clássico jogo político: ele treina quem está lá. Se quem está lá não for suficiente, a culpa é da gestão. O América-MEX acena com um modelo de empréstimo com compra obrigatória ou metas. Para o Palmeiras, vender Veiga agora ajudaria na meta de R$ 400 milhões em vendas, mas abriria uma cratera técnica no meio-campo.