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Palmeiras: Orçamento de R$ 1,2 bi, meta de vendas e o silêncio que irrita a torcida

O ano de 2026 começou com um paradoxo na Academia de Futebol. O Palmeiras aprovou um orçamento recorde com previsão de R$ 1,2 bilhão em receitas, mas opera no mercado com um “silêncio” que deixa a torcida nervosa. Enquanto rivais anunciam pacotes de reforços, o Verdão foca em saídas e ajustes finos. A estratégia, que parecia segura, sofreu um abalo sísmico: a derrota por 4 a 0 para o Novorizontino, o pior revés da Era Abel Ferreira, transformou a paciência em pichação nos muros.

A pergunta que divide a arquibancada é: a postura do Palmeiras é genialidade administrativa (focar apenas em craques indiscutíveis) ou preguiça esportiva (demorar para repor peças essenciais)?

A Conta de Chegar: Por que R$ 1,2 Bilhão não sobra?

Ter receita alta não significa ter dinheiro sobrando para gastar. O orçamento de 2026 revela uma “trava” importante:

  • A Meta de Vendas: O clube precisa arrecadar R$ 399,6 milhões com negociações de atletas para fechar a conta.
  • O Custo Fixo: Folha salarial, direito de imagem e amortização (pagamento parcelado de compras passadas) consomem a maior parte do bolo. Isso explica o “modo silencioso”. O Palmeiras não tem margem para errar. Cada contratação precisa ser cirúrgica, pois o fluxo de caixa já está comprometido.

O Plano “Sniper”: Arias, Almada e Nino

A diretoria adotou a tática do “atirador de elite”: poucos tiros, mas letais. Em vez de trazer cinco jogadores médios para compor elenco, o foco é liberar espaço (saídas de Facundo Torres e possível Luighi) para tentar um “Peixe Grande”.

  • Os Alvos: O clube mantém conversas difíceis por Thiago Almada e Jhon Arias, operações na casa de € 20 milhões (R$ 120 milhões). Na zaga, o sonho é Nino, avaliado pelo Zenit em € 12 milhões. Se um desses nomes chegar, a narrativa muda de “preguiça” para “ambição”. Mas negociações desse porte demoram — e o Paulistão não espera.

Quando a Austeridade vira Negligência

Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O problema do “silêncio” é quando ele ignora buracos óbvios.

  1. A Saída de Weverton: A informação sobre um acordo para a ida do goleiro ao Grêmio (sem custos) cria uma lacuna de liderança técnica gigantesca.
  2. A Volância: Aníbal Moreno saiu. Marlon Freitas chegou. É suficiente para manter o nível? O 4 a 0 sugere que o sistema defensivo perdeu solidez. Nesse cenário, esperar a “oportunidade de mercado” perfeita soa como demora para reagir. O muro pichado é o sintoma de que a torcida sente o elenco curto.

O Fator Abel: O Escudo e o Alvo

Abel Ferreira defende a política de pés no chão, lembrando que o Palmeiras não entra em leilão. Mas a goleada no seu jogo 400 foi um choque de realidade. O treinador, que sempre tirou leite de pedra, agora parece pedir (nas entrelinhas e no campo) que a direção lhe dê pedras melhores para trabalhar.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de futebol, com foco em Atlético, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo há mais de 10 anos.