O mercado da bola brasileiro viveu dias de agitação com o nome de Lucas Torreira circulando nos bastidores de duas das maiores potências do país. Palmeiras e Atlético-MG, ambos à procura de um “camisa 5” de hierarquia internacional, colocaram o volante uruguaio do Galatasaray no radar. Aos 29 anos e com passagens por Arsenal e Atlético de Madrid, Torreira é o retrato fiel do reforço que muda o patamar de um meio-campo: intenso, experiente e tecnicamente refinado.
No entanto, o desejo técnico colidiu frontalmente com a realidade financeira. Avaliado em € 12 milhões (cerca de R$ 75 milhões) e com contrato longo na Turquia, o jogador tornou-se uma operação considerada, até o momento, inviável para os padrões de responsabilidade orçamentária de paulistas e mineiros.
O Atlético-MG foi quem chegou mais perto de tentar viabilizar o negócio, abrindo contatos diretos e ouvindo do próprio empresário do atleta, Pablo Bentancur, sobre o interesse mútuo. Contudo, ao colocar na ponta do lápis o pacote total — que envolve taxa de transferência, luvas e um salário de nível europeu —, a diretoria do Galo recuou, classificando a operação como “fora da realidade” atual.
Do lado do Palmeiras, o nome foi debatido como a solução ideal para o pedido de Abel Ferreira por um “grande camisa 5”, mas a diretoria optou por não avançar para uma negociação formal, ponderando o custo-benefício e o impacto no desenvolvimento de talentos da base.
Palmeiras: O Dilema de Abel
Para o Palmeiras, Torreira seria a resposta definitiva para a lacuna deixada na proteção à zaga. No entanto, a filosofia do clube barra loucuras financeiras por jogadores de 29 anos. Além disso, há uma questão estratégica interna:
- Bloqueio da Base: Abel Ferreira tem sido vocal sobre a necessidade de trazer alguém “pronto” ou apostar na base. Contratar Torreira fecharia a porta para jovens como Luis Pacheco, que o clube quer testar e desenvolver.
- Perfil do Reforço: O Verdão só abrirá o cofre se o nome for indiscutível e financeiramente ajustável. Torreira é indiscutível tecnicamente, mas o contrato até 2028 com o Galatasaray torna a engenharia financeira complexa demais.
Atlético-MG: A Tentativa e a Frustração
O Galo, que busca elevar o nível do seu elenco para competir em todas as frentes em 2026, viu em Torreira a peça que faltava. A sondagem foi séria, mas esbarrou em dois muros:
- O Galatasaray: O clube turco não tem interesse em facilitar. Pelo contrário, notícias da Europa indicam que eles planejam estender o vínculo do uruguaio, o que endurece qualquer conversa.
- O Salário: Equiparar o que Torreira ganha na Turquia exigiria que ele se tornasse, possivelmente, o maior salário do elenco atleticano, o que poderia gerar desequilíbrio na folha e no vestiário.