A volta de Everton Cebolinha ao Grêmio esfriou de vez no curto prazo. A avaliação interna é dura: entrar em leilão por um atacante em fim de contrato, com salário fora da realidade do clube e custo total alto demais, não faz sentido. Um dirigente gremista resumiu a chance como “zero”. O problema não é só o desejo de trazer o jogador — é a conta inteira.
O que tirou o Grêmio da disputa
O primeiro freio é salarial. No ambiente gremista, a remuneração de Cebolinha é tratada como incompatível com a realidade atual do clube — na faixa de quase R$ 2 milhões por mês. Mesmo que o Flamengo reduza a pedida de transferência, esse valor mensal empurra o negócio para um nível de risco muito alto. O que poderia ser contratação de oportunidade vira aposta pesada em um atacante de 30 anos, sem perspectiva de revenda forte.
O segundo freio é estrutural. O Grêmio atravessa 2026 com endividamento de R$ 935,6 milhões e passivo circulante de R$ 516,4 milhões a pagar ainda neste ano. A nova gestão já quitou R$ 100 milhões em dívidas nos primeiros meses de trabalho e tenta reorganizar o caixa. Comprometer a folha com um contrato de elite por um jogador em fim de ciclo foge completamente da lógica que o clube vem tentando adotar.
O impasse com o Flamengo
Cebolinha tem contrato com o Flamengo até 31 de dezembro de 2026 e valor de mercado de 7 milhões de euros (cerca de R$ 41 milhões). O Rubro-Negro pagou 16 milhões de euros (cerca de R$ 95 milhões) pelo atacante e, como não pretende renovar, já trabalha com a ideia de vendê-lo em julho para não correr o risco de perdê-lo de graça em dezembro.

Isso cria um impasse claro: o Grêmio só veria lógica em esperar uma oportunidade mais barata, enquanto o Flamengo quer recuperar ao menos parte do investimento feito. Os dois lados não se encontram — e dificilmente se encontrarão no curto prazo.
O Grêmio que não é mais o mesmo
O ponto mais simbólico é esse: o Grêmio que sonhava alto com Cebolinha anos atrás não é mais o mesmo. Em 2019, o atacante renovou no clube com salário de R$ 700 mil. Hoje, o custo projetado para repatriá-lo é quase três vezes maior só na parte salarial, sem contar luvas e eventual compensação ao Flamengo.
O nome continua sedutor para a torcida. A matemática, não. Em vez de entrar em disputa inflacionada por um nome de forte apelo emocional, a tendência gremista é buscar soluções com menor peso fixo e mais margem de composição.
O que acontece com Cebolinha agora
Do lado do Flamengo, a estratégia é clara: vender em julho, se aparecer proposta, e evitar saída sem retorno no fim do ano. Do lado do jogador, o cenário segue aberto, com interesse em encerrar o ciclo e abertura para ouvir o mercado.
O Grêmio até pode reaparecer mais à frente — mas isso exigiria uma queda muito forte no custo total. Por ora, o clube gaúcho preferiu sair da mesa antes que a emoção empurrasse a conta para um lugar perigoso demais.