O Grêmio encerrou a primeira janela de transferências de 2026 enviando um recado claríssimo ao mercado sul-americano: o clube abriu os cofres, mas também passou a tesoura na folha salarial. O presidente Odorico Roman não hesitou em classificar o movimento como “talvez a maior janela da história do Grêmio em termos financeiros”.
Sob a batuta do técnico Luís Castro, o Tricolor gaúcho operou uma verdadeira reforma estrutural. Chegaram seis reforços pontuais, enquanto uma impressionante “barca” de 21 jogadores deixou Porto Alegre. O objetivo era óbvio: reduzir o inchaço do elenco (a meta é trabalhar com apenas 27 atletas) e liberar espaço no fluxo de caixa mensal.
O problema é que grandes reformas custam caro, e a conta vai chegar.
O peso de R$ 80 milhões no ataque
O volume massivo de investimentos gremistas nesta janela concentrou-se quase exclusivamente em duas contratações de impacto para o setor ofensivo:
- Tetê: O atacante retornou ao clube com um custo estimado em € 6,2 milhões (cerca de R$ 37 milhões). A operação foi desenhada para ser diluída em quatro anos de pagamentos.
- Juan Nardoni: O volante argentino exigiu um aporte de US$ 8 milhões (cerca de R$ 40 milhões) por 80% dos seus direitos económicos, com a possibilidade de mais US$ 2 milhões atrelados a bónus por metas.
Somando apenas os valores principais destas duas operações, o Grêmio ultrapassou a barreira dos R$ 80 milhões em compromissos assumidos. É por isso que, mesmo com um número reduzido de chegadas, a diretoria trata o período como histórico.
Quem paga essa conta no meio do ano?
No futebol moderno, o financiamento de janelas agressivas como esta exige uma combinação de alívio na folha salarial, receitas desportivas (premiações e bilheteira) e, inevitavelmente, a venda de ativos. Com o calendário a apertar e as parcelas a vencer, o mercado já especula quem será o “eleito” para gerar liquidez financeira na janela do meio do ano.

Abaixo, os dois perfis mais cotados para equilibrar o balanço tricolor em caso de necessidade:
- 1. Mathías Villasanti (A Venda Lógica): Avaliado na casa dos € 5 milhões, o volante paraguaio é o ativo mais “pronto” do elenco. Ele atrai o interesse constante do mercado internacional e representa uma venda que gera liquidez imediata sem depender de uma “aposta” explodir. É o sacrifício clássico para proteger os homens de frente.
- 2. Gustavo Martins (A Venda Estratégica): Se a ordem for não mexer nos titulares absolutos do meio e ataque, o jovem defesa surge como o plano perfeito. Com um valor de mercado a rondar os € 3 milhões, ele encaixa-se no perfil que os clubes europeus adoram: jovem, valorizado e com grande margem para revenda.
O “Plano B” que já está no cofre do Grêmio
É importante lembrar que o Grêmio não entra nesta equação de bolsos vazios. O clube já tem receitas futuras contratadas que ajudam a sustentar este nível de investimento. O maior exemplo é a venda de Gabriel Mec ao Chelsea, fechada ainda em 2024, cujos valores podem atingir os € 24 milhões mediante o cumprimento de metas.