O recado mais claro que um jogador pode receber não vem em uma reunião, vem na escalação de um clássico. Ao deixar Gustavo Cuéllar fora do Gre-Nal por opção técnica, o Grêmio sinalizou ao mercado: o volante colombiano, contratado para ser pilar do time, virou peça dispensável em 2026. E o mercado reagiu rápido. O Deportivo Cali abriu conversas para repatriar sua cria por empréstimo, oferecendo ao Tricolor a chance de resolver um problema de gestão de elenco e financeiro.
A negociação, que ganhou tração nas últimas horas, é o retrato de um “casamento de conveniência”. O Grêmio quer se livrar de um salário alto de quem não joga; o Cali quer um ídolo para acalmar a torcida; e Cuéllar precisa de minutos para não ver a carreira estagnar no banco da Arena.
O Gatilho do Gre-Nal
A ausência no clássico foi o ponto de ruptura. Com apenas uma partida na temporada e preterido por Villasanti, Pepê, Dodi e novos reforços, Cuéllar se tornou um “ativo tóxico” no sentido financeiro: custa muito para entregar quase nada em campo. Para a direção gremista, negociar agora é vital. Segurar um veterano insatisfeito no banco é a receita para criar ruído no vestiário.
A Engenharia do Negócio no Grêmio: Quem Paga a Conta?
O Deportivo Cali joga com a emoção (o retorno do filho pródigo), mas não tem o cofre do Grêmio. O entrave — e a solução — está na divisão de custos.

- O Cenário Provável: O Grêmio sabe que terá que pagar parte dos salários. A lógica é: melhor pagar 40% ou 50% para ele jogar na Colômbia e valorizar, do que pagar 100% para ele treinar em separado em Porto Alegre.
- O Contrato: Com vínculo até o fim de 2026, um empréstimo agora leva Cuéllar até a reta final de seu contrato. É, na prática, uma despedida parcelada.
Por Que o Cali Quer?
Para os colombianos, Cuéllar ainda é o volante de Seleção, ex-Flamengo e Arábia. É uma contratação de impacto técnico e midiático. Eles apostam que, em um ambiente de confiança e titularidade absoluta, ele recuperará o futebol que sumiu no Sul do Brasil.
Análise Moon BH: A Limpeza Necessária
O Grêmio está correto em negociar. O erro não é vender ou emprestar; o erro seria insistir em um jogador que a comissão técnica já descartou tacitamente. Se o acordo sair, o Grêmio perde um nome famoso, mas ganha “oxigênio” na folha salarial para buscar, talvez, uma peça que Renato (ou o técnico vigente) realmente vá usar. Cuéllar foi uma aposta válida que não encaixou. Reconhecer isso rápido e facilitar a saída é sinal de maturidade de mercado. Antes um “adeus” amigável agora do que um processo trabalhista ou uma rescisão milionária depois.