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Flamengo precisa vender, mas cada saída pode custar caro no futebol

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O Flamengo chegou a setembro diante de uma conta que não combina tão facilmente com o momento esportivo do time. A diretoria ainda precisa aproximar o clube da meta de receitas com vendas de jogadores em 2026, mas, ao mesmo tempo, Leonardo Jardim tem um elenco construído para disputar títulos e uma reta final de temporada em que perder peças pode representar um custo dentro de campo.

Segundo o UOL, A meta orçamentária para vendas de atletas é de cerca de R$ 256 milhões. Até o momento, o Flamengo arrecadou aproximadamente R$ 176 milhões e ainda precisa gerar algo perto de R$ 80 milhões para alcançar o valor previsto no orçamento.

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O problema é que não existe uma fórmula simples para transformar jogadores em dinheiro sem mexer na competitividade da equipe.

Flamengo já mostrou que não basta vender por vender

Jogador Gonzalo Plata do Flamengo
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

A atual janela ajuda a explicar esse dilema. O clube esperava receber cerca de R$ 71 milhões pela negociação de Gonzalo Plata, mas o negócio com o Dínamo Moscou fracassou após os exames médicos realizados pelo atacante na Rússia.

A venda praticamente resolveria a diferença em relação à meta anual. Sem ela, porém, o Flamengo precisará buscar outras fontes de receita no mercado, enquanto mantém as contratações feitas na janela e os compromissos financeiros assumidos anteriormente. O clube não pretende desfazer as operações por Anthony Valencia e Joaquín Freitas, que somam aproximadamente R$ 77 milhões e foram estruturadas de forma parcelada.

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Na prática, o clube criou uma situação em que precisa continuar negociando, mas não pode simplesmente transformar qualquer atleta disponível em uma venda.

Cebolinha mostra o tamanho do dilema

Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo

Um dos casos mais evidentes é o de Everton Cebolinha. O atacante já avisou que deixará o Flamengo ao final de 2026 e tem contrato somente até dezembro.

Ao mesmo tempo, ele entrou em campo contra o Mirassol e chegou a 12 partidas pelo Campeonato Brasileiro. Com uma nova aparição na competição, Cebolinha deixa de poder ser transferido para outro clube brasileiro nesta temporada por causa do limite estabelecido no regulamento.

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A situação chamou atenção porque o Botafogo procurou informações sobre o jogador e recebeu autorização do Flamengo para que ele buscasse um novo clube. O atacante, porém, dá preferência a uma transferência para o exterior.

Isso coloca um valor econômico sobre uma decisão esportiva. Se Cebolinha permanecer até dezembro, o Flamengo ganha uma opção para Jardim na reta final, mas perde a possibilidade de transformar imediatamente o jogador em receita. Se sair, abre espaço no elenco e pode gerar algum retorno, mas reduz uma alternativa de ataque.

O mesmo raciocínio vale para outros ativos

O caso de Cebolinha não significa que o Flamengo precise necessariamente negociá-lo para atingir os R$ 80 milhões restantes. O ponto é que a direção entra no próximo ciclo de mercado precisando avaliar quais jogadores podem gerar receita sem comprometer a estrutura esportiva.

A situação é diferente de anos anteriores porque o Flamengo possui atletas de alto valor e, simultaneamente, um elenco extremamente competitivo. Lucas Paquetá custou € 42 milhões, tornou-se o reforço mais caro da história do futebol brasileiro e vem sendo usado por Jardim em diferentes funções.

Uma eventual venda de um jogador desse nível poderia resolver uma parte relevante da conta financeira, mas também produziria uma consequência esportiva muito maior do que a simples saída de um reserva. É justamente aí que o planejamento da diretoria fica mais delicado.

O Flamengo não está diante de uma crise de caixa que obrigue uma liquidação do elenco. O clube tem receitas elevadas e considera sua situação financeira confortável. O desafio é outro: cumprir o planejamento de vendas enquanto mantém um grupo capaz de sustentar a briga pelo Campeonato Brasileiro e pela Libertadores.

A próxima janela pode decidir a equação

A janela de setembro ainda não resolveu completamente essa conta. Por isso, o mercado de fim de temporada ganha importância adicional para o Flamengo.

A diretoria terá de escolher entre aceitar propostas por jogadores com mercado ou preservar determinadas peças até o fim da temporada, mesmo sabendo que algumas delas podem valer menos no futuro. O caso de Cebolinha é extremo porque o contrato termina em dezembro, mas a lógica vale para qualquer atleta cuja saída possa representar dinheiro no caixa.

O Flamengo vive, portanto, uma contradição típica de um clube que cresceu financeiramente: ter dinheiro não elimina a necessidade de vender jogadores.

A meta de aproximadamente R$ 256 milhões continua existindo no orçamento. Faltam cerca de R$ 80 milhões, mas a solução não pode ser analisada apenas pela soma das propostas que chegarem à mesa. Cada venda também precisa responder a uma segunda pergunta: quanto ela custa para o time?

Com o Flamengo disputando a liderança do Brasileirão e avançando na Libertadores, essa resposta pode ser tão importante quanto o valor da transferência.

A diretoria rubro-negra não precisa apenas encontrar quem pague pelos seus jogadores. Precisa descobrir qual venda gera receita sem transformar o dinheiro recebido em prejuízo esportivo.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.