O Flamengo passou os últimos dias agindo como um clube que já não teria Gonzalo Plata no elenco. A diretoria foi ao mercado, fechou duas contratações para o ataque e reorganizou o planejamento da reta final da janela.
Só que Plata voltou.
O Dínamo Moscou desistiu da contratação depois dos exames médicos realizados pelo equatoriano na Rússia. O clube alegou uma questão relacionada ao joelho direito, enquanto o Flamengo contesta a avaliação e afirma que o atleta está apto para futebol de alto rendimento.
A consequência é curiosa: o Flamengo montou parte de sua janela para substituir uma saída que deixou de existir.
Valencia chegou para ocupar uma vaga que não ficou vazia
A movimentação mais clara envolve Anthony Valencia.
O equatoriano de 23 anos foi contratadoado do Royal Antwerp por aproximadamente € 5 milhões, cerca de R$ 30 milhões na operação divulgada durante a negociação. Ele atua pelos lados e foi buscado justamente no momento em que a saída de Plata era tratada como encaminhada.
O próprio desenho da janela deixava essa relação evidente: saía um ponta equatoriano, chegava outro com características capazes de preencher o espaço.
Também chegou Joaquín Freitas, atacante argentino de 19 anos utilizado principalmente pelo centro.
Agora, os dois permanecem nos planos mesmo sem a receita prevista com Plata.
Flamengo mantém cerca de R$ 76 milhões em contratações
Segundo o ge, Valencia e Freitas custaram juntos aproximadamente R$ 76 milhões ao Flamengo. As operações foram estruturadas de forma parcelada.
A venda cancelada de Plata, por outro lado, colocaria cerca de R$ 60 milhões no caixa rubro-negro de forma imediata. Mesmo com o negócio frustrado, a diretoria não cogita desfazer as contratações.
Esse detalhe transforma o caso. A discussão deixa de ser apenas “Plata foi reprovado nos exames” e passa a envolver o efeito dominó de uma negociação que já havia provocado decisões esportivas e financeiras dentro do Flamengo.
O clube havia vendido antes de receber e contratado considerando uma saída que, no fim, não ocorreu.
A conta encontra um Flamengo que já tem compromissos elevados
O cenário é ainda mais relevante porque o Moon BH mostrou recentemente que o Flamengo possui cerca de R$ 614,5 milhões em pagamentos futuros relacionados a reforços.
Isso não significa incapacidade financeira. O clube possui receitas altas e grande capacidade de investimento.
Mas ajuda a explicar por que uma venda planejada para entrar à vista fazia diferença no fluxo de caixa.
De acordo com o ge, depois do cancelamento da operação de Plata, o Flamengo soma R$ 114,4 milhões em vendas no ano, contra uma meta orçamentária de R$ 250 milhões para 2026.
Leonardo Jardim ganha opção, enquanto a diretoria ganha um problema
Para Leonardo Jardim, a situação pode até ampliar as opções ofensivas.
Plata retorna ao Rio, Valencia passa a integrar o elenco e Freitas acrescenta outra alternativa de ataque. O problema será acomodar funções, minutos e expectativas dentro de um grupo que já possui forte concorrência.
Para a diretoria, a equação é diferente. Além do impacto financeiro, o Flamengo estuda buscar reparação contra o Dínamo Moscou. O clube classificou a postura dos russos como “amadorismo e irresponsabilidade” e afirmou que não medirá esforços para buscar medidas cabíveis.
No fim, uma venda que parecia resolver parte do planejamento produziu exatamente o contrário.
O Flamengo se preparou para terminar a janela com Plata fora e dois novos atacantes dentro. Agora, pode terminar com os três.


