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Flamengo recusa R$ 38 milhões que podem ajudar a bancar Thiago Almada

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O Flamengo recebeu uma proposta do Porto por Daniel Sales no mesmo momento em que tenta construir uma operação de grande porte para contratar Thiago Almada. A coincidência movimenta o caixa rubro-negro, mas os dois negócios estão separados por uma diferença considerável de valores.

A oferta pelo lateral-direito de 20 anos foi tratada por parte da imprensa como uma operação próxima de R$ 38 milhões. Os detalhes publicados no Brasil e em Portugal, porém, não são completamente iguais.

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O que realmente diz a proposta do Porto

Há versões que apontam € 5 milhões pela aquisição de 50% dos direitos econômicos. Já o jornal português A Bola descreveu uma estrutura inicial sem pagamento fixo pelos primeiros 50%, seguida por bônus e compras graduais vinculadas ao número de partidas no time principal do Porto. O Flamengo recusou o formato apresentado.

Os R$ 38 milhões que circularam em manchetes, portanto, não devem ser tratados automaticamente como dinheiro garantido e disponível para financiar Almada.

Parte do pacote dependeria do desenvolvimento de Daniel Sales em Portugal, e o pagamento integral só ocorreria se o jovem acumulasse jogos na equipe principal.

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Os gatilhos que reduzem o risco português

Segundo a versão detalhada pela imprensa portuguesa, o Porto queria incorporar Daniel inicialmente à equipe B. O clube poderia pagar um bônus de € 300 mil ligado a objetivos e adquirir mais parcelas dos direitos econômicos conforme o lateral avançasse até o elenco principal.

Uma fatia adicional de 20% custaria € 2,5 milhões e se tornaria obrigatória caso o brasileiro disputasse cinco partidas oficiais, permanecendo ao menos 45 minutos em cada uma. Outros percentuais seriam comprados depois de 10, 15 e 25 jogos pela equipe principal.

O desenho é interessante para o Porto porque transfere grande parte do risco ao Flamengo. Se Daniel não superar a equipe B, o investimento seria reduzido. Caso se valorize, os portugueses teriam caminhos definidos para aumentar sua participação por preços acertados antes da evolução esportiva.

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Por que o Flamengo recusou

Para o Rubro-Negro, a operação significaria abrir mão do controle de uma promessa sem garantia de receita imediata proporcional ao potencial do jogador. Esse é um dos motivos para a recusa, ainda que as partes possam retomar a conversa com outra estrutura.

A multa rescisória de Daniel está fixada em € 50 milhões, e o contrato termina em dezembro de 2028. O número não representa o preço real exigido pelo clube, mas oferece proteção suficiente para que a diretoria não seja obrigada a aceitar a primeira proposta europeia.
Essa margem de segurança permite ao Flamengo esperar por uma oferta mais vantajosa, sem pressa de liberar o jovem lateral.

O Flamengo não é dono de todos os direitos

Bap, presidente do Flamengo
Foto: Flamengo TV

Outro detalhe interfere na conta. O Flamengo possui 80% dos direitos econômicos do lateral. Os 20% restantes continuam com o Ibrachina, clube paulista que participou da formação do atleta.

O Rubro-Negro adquiriu uma parcela adicional de 20% por R$ 400 mil antes de renovar o contrato até 2028. Portanto, qualquer transferência precisa considerar a participação do antigo clube, dependendo de quais percentuais forem efetivamente vendidos ao Porto.

Isso significa que uma proposta anunciada como R$ 38 milhões não corresponde necessariamente ao valor líquido que entraria na conta do Flamengo. Haveria ainda possíveis comissões, impostos e a divisão ligada aos direitos mantidos pelo Ibrachina.

Quanto a venda ajudaria na compra de Almada

Mesmo no cenário mais otimista, a negociação de Daniel Sales financiaria apenas uma parte da compra de Thiago Almada. O River Plate apresentou € 20 milhões, cerca de R$ 117 milhões na conversão utilizada pela apuração, por 50% dos direitos econômicos do argentino.

Se o Flamengo recebesse efetivamente R$ 38 milhões por Daniel, essa receita corresponderia a aproximadamente 32% dos R$ 117 milhões oferecidos pelo River. Ainda faltariam perto de R$ 79 milhões somente para igualar o valor dos direitos econômicos, sem incluir salários, luvas, comissões e bônus.

Caso prevaleça a versão de € 5 milhões por 50%, a proporção é ainda mais simples: a venda representaria apenas um quarto da oferta de € 20 milhões feita por Almada. A receita poderia ajudar no fluxo de caixa, mas não seria suficiente para pagar a contratação sozinha.

A disputa com o River pelo argentino

O Rubro-Negro ainda não tinha proposta oficial registrada junto ao Atlético de Madrid, mas avançou nas conversas com o jogador e acredita que pode oferecer garantias financeiras superiores às do clube argentino.

O River chegou a comunicar internamente que possuía acordo com o Atlético de Madrid e com o jogador. A operação, porém, encontrou dificuldade na apresentação de garantias a uma instituição financeira norte-americana ligada ao negócio que levou Almada à Espanha.

O Flamengo entende que pode pagar em menos parcelas e oferecer garantias mais seguras. O principal obstáculo não seria o River, mas a possibilidade de o argentino receber uma oferta de outro clube europeu depois da Copa do Mundo.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.