Leonardo Jardim foi direto depois do empate com o Vasco: não sabe quando Lucas Paquetá voltará e confirmou que o camisa 20 ainda não treina com o grupo, mesma situação de Erick Pulgar. A fala encerra qualquer expectativa de retorno rápido e mostra que o meia está em estágio anterior à reintegração normal ao elenco do Flamengo.
O problema evoluiu de forma diferente do que se esperava no início. Inclusive, o Flamengo acompanha de perto todas as etapas dessa evolução.
Como a lesão foi se complicando
Quando o problema foi detectado, em 20 de abril, o cenário parecia mais simples. A previsão inicial era de cerca de dez dias afastado, com esperança de retorno até o clássico com o Vasco. A recuperação, porém, não andou no ritmo imaginado pelo Flamengo.
Dias depois, o boletim médico do próprio Flamengo mudou o tom. O departamento médico passou a tratar o problema como uma lesão muscular com componente de tendão, com recuperação mais longa. O médico do clube explicou que Paquetá ainda estava em estágio mais precoce, que o aumento de carga seria feito de forma gradual e que a reação do jogador ao longo da semana definiria os próximos passos.
Na prática, isso significa que o clube Flamengo ainda não trabalha com uma data segura.
Por que a frase de Jardim carrega tanto peso

Dizer que um jogador não está com o grupo é, em futebol de alto nível, um sinal claro de quanto caminho ainda falta. Antes de voltar a jogar, Paquetá precisa retomar treinos coletivos, responder fisicamente à carga e readquirir ritmo de jogo. O problema, portanto, já não é mais apenas esperar alguns dias, mas vencer uma etapa de transição que ainda nem foi concluída pelo Flamengo.
O próprio Jardim deu uma pista do padrão atual ao admitir que, no final do clássico com o Vasco, baixar jogadores teria aumentado muito o risco de lesão. O clube está evitando antecipar qualquer retorno apenas para resolver uma urgência de momento e considerando as necessidades do Flamengo no campeonato.
O que a ausência de Paquetá mexe no time
A perda do meia atinge uma área sensível do modelo de Jardim. Paquetá vinha sendo usado para dar dinamismo ao setor central, agressividade sem bola e conexão entre meio-campo e ataque. Com ele fora, o elenco precisou reorganizar funções, abrindo espaço para Saúl como segundo volante e adaptando o esquema que é tão característico do Flamengo.
O timing também pesa. Com Arrascaeta fora por fratura na clavícula, a ausência de Paquetá se torna ainda mais custosa na criação e na capacidade de o time sustentar intensidade com bola e sem ela. São dois jogadores de ligação fora ao mesmo tempo, exatamente o setor que Jardim mais valoriza para construir seu modelo dentro do Flamengo.
O que se pode esperar agora é um retorno sem pressa. O Flamengo tem dado sinais consistentes de que prefere controlar a recuperação a correr o risco de uma recaída que poderia ser ainda mais longa.
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