A vitória do Flamengo por 2 a 1 sobre o Vitória, que garantiu a vantagem no jogo de ida da Copa do Brasil, deixou um sinal de alerta piscando nos bastidores do Ninho do Urubu para a sequência da temporada. O meia Nicolás De La Cruz atingiu o limite da sua curva de minutagem e pode não suportar a intensidade do calendário nas próximas rodadas.
O uruguaio vem da sua melhor sequência física no ano — foram sete partidas consecutivas antes do duelo no Maracanã. Esse marco só foi atingido graças a um rígido planejamento individualizado desenhado pelo clube para controlar a carga e o impacto nos joelhos do atleta, que chegou a passar por um procedimento regenerativo nas férias.
O problema é que forçar essa melhor fase agora pode custar caro demais na frente.
A contradição: Peça vital em um meio-campo desfalcado
A situação de De La Cruz é o grande dilema do técnico Leonardo Jardim. O uruguaio caiu nas graças do treinador português pela sua versatilidade e inteligência tática, sendo o motor que dá equilíbrio a um setor severamente castigado por baixas (como as lesões de Pulgar e Jorginho, além do susto recente com Lucas Paquetá).
O Flamengo sabe que o camisa 14 é decisivo em jogos grandes, mas a lógica da comissão técnica é clara: evitar “gastar” o jogador em excesso. Quando ele emenda partidas em alta voltagem, o departamento médico aciona a zona de atenção máxima.
O xadrez de Jardim para o clássico na Arena MRV

O detalhe que muda a rota do debate agora é o estrangulamento da tabela. O Flamengo já volta a campo neste domingo, 26 de abril, às 20h30, para encarar o Atlético-MG na Arena MRV, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com pouco tempo de recuperação e um deslocamento interestadual, Jardim precisa decidir entre a manutenção da sua principal engrenagem ou a preservação física.
Um fator tático joga a favor do descanso do uruguaio: o volume de jogo. Na coletiva após bater o Vitória, o treinador valorizou o fato de o time ter chegado a 20 finalizações, afirmando que se preocupa mais com a falta de criação do que com os gols perdidos.
Com a estrutura ofensiva funcionando, Jardim ganha fôlego para uma aposta mais conservadora em Belo Horizonte:
- Escalar um meio-campo com maior pegada e resistência física desde o início.
- Deixar De La Cruz no banco como uma “arma de segundo tempo”, caso a partida na Arena MRV exija maior controle de posse ou qualidade no passe entrelinhas.
Em um elenco bilionário que já convive com problemas estruturais no meio-campo, perder o uruguaio por lesão muscular ou sobrecarga seria muito mais um erro de gestão esportiva do que uma fatalidade do futebol.
O duelo de domingo não será apenas um choque de gigantes do futebol brasileiro; será o teste definitivo de Leonardo Jardim para provar que consegue preservar suas peças-chave sem desmontar a competitividade da equipe carioca.
Veja as principais notícias do Flamengo hoje, aqui.