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Quanto custaria Neymar ao Flamengo: R$ 650 mi na época do PSG e mais de R$ 100 mi pelo Santos hoje

A revelação de Marcos Braz sobre a tentativa do Flamengo por Neymar merece uma leitura mais profunda do que a simples curiosidade de bastidor. O ex-dirigente confirmou que conversou com o pai do craque quando ele ainda defendia o PSG, mas disse que a negociação morreu por questões financeiras e contratuais. O ponto mais importante é este: nunca houve proposta formal tornada pública, então a conta precisa ser estimada com base nos parâmetros reais de mercado.

Quanto custaria tirar Neymar do PSG

O melhor parâmetro público para medir o preço de Neymar naquele momento é o negócio que efetivamente aconteceu depois. Em agosto de 2023, o Al-Hilal pagou cerca de 90 milhões de euros ao PSG para contratar o brasileiro, enquanto o salário anual do craque girava em torno de 30 milhões de euros por temporada.

Traduzindo isso para uma conta de Flamengo, o pacote seria brutal. Pela cotação de agosto de 2023, a taxa de transferência de 90 milhões de euros equivaleria a cerca de R$ 488,7 milhões.

Um ano de salário representaria mais R$ 162,9 milhões. Somando só esses dois itens, o primeiro ano da operação passaria de R$ 651,5 milhões — sem incluir luvas, comissões, impostos e direitos de imagem. É por isso que a fala de Braz faz tanto sentido: o Flamengo até podia conversar, mas não podia pagar essa conta no modelo tradicional.

Quanto custaria trazer Neymar hoje

Neymar em dia de treino intenso no Santos
Fotos: Raul Baretta/ Santos FC

Hoje a conta mudou muito, mas não ficou leve. Neymar tem contrato com o Santos até 31 de dezembro de 2026, aparece com valor de mercado de 10 milhões de euros (cerca de R$ 59,5 milhões) no Transfermarkt e recebe salário de R$ 4,5 milhões por mês no clube paulista.

Se o Flamengo quisesse Neymar agora, o piso teórico da operação começaria pelo valor de mercado atual: cerca de R$ 59,5 milhões. A isso seria preciso somar os salários até o fim do vínculo — considerando nove meses restantes e R$ 4,5 milhões mensais, mais R$ 40,5 milhões. Só aí a conta já encosta em R$ 100 milhões, antes de luvas, comissão de empresários e qualquer prêmio de assinatura.

O complicador extra: a dívida do Santos

Há um detalhe que deixa a operação ainda mais pesada. O Santos reconhece uma dívida de R$ 90,5 milhões com a NR Sports, empresa da família de Neymar, ligada aos direitos de imagem do jogador. Esse valor não seria automaticamente transferido ao Flamengo em uma eventual compra, mas mostra o tamanho do ecossistema financeiro em torno do atleta.

Na prática, quem tentar tirar Neymar do Santos agora não negociará apenas salário e taxa de transferência — negociará um pacote comercial e contratual muito mais sofisticado do que uma compra comum de mercado. A faixa realista da operação pode caminhar para algo entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, dependendo de luvas, comissão e eventual compensação adicional.

O Flamengo de hoje tem mais músculo

O clube publicou seu balanço de 2025 e ultrapassou R$ 2,089 bilhões de receita operacional bruta, com superávit e redução de dívida operacional. Isso não significa que Neymar “cabe fácil” no orçamento, mas indica que o Flamengo de 2026 está financeiramente em um patamar muito superior ao do momento em que Braz fez aquela sondagem em Paris.

Na época do PSG, a operação podia passar de R$ 650 milhões no primeiro ano — praticamente inviável para qualquer clube brasileiro. Hoje, Neymar ficou muito mais acessível em comparação, mas ainda seria um negócio premium, provavelmente acima de R$ 100 milhões para ser fechado de imediato. O sonho deixou de ser impossível. Só continua caríssimo.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.