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Flamengo avalia contratar Dybala e recorde no Maracanã ajuda

O Flamengo transformou a vitória por 3 a 1 sobre o Santos, no Maracanã, em uma vitrine do seu poder de arrecadação. O jogo registrou 65.123 pagantes, mais de 68 mil torcedores no total, e gerou R$ 5.896.367 de renda bruta — a maior marca de público do Brasileirão 2026 até aqui.

Em um momento em que o nome de Paulo Dybala volta a circular no mercado, o dado acende a pergunta que o torcedor gosta de fazer: essa força de bilheteria ajuda a bancar um craque desse tamanho?

A resposta direta: ajuda, mas não resolve sozinha

Dybala tem contrato com a Roma até 30 de junho de 2026 e valor de mercado de € 5 milhões (cerca de R$ 30 milhões). Isso abre dois caminhos: pagar compensação para tirá-lo antes do fim do vínculo ou esperar julho e tratar a operação como contratação sem taxa de transferência. Só que, mesmo no cenário “livre no mercado”, o peso maior da conta continuaria em salário, luvas e comissão.

Quanto custaria Dybala ao Flamengo

O custo mais pesado está no contracheque. O Capology estima que o argentino receba € 12,96 milhões brutos por ano na Roma, enquanto a Football Italia informou salário de € 8 milhões por temporada, incluindo bônus, quando a renovação automática foi ativada em janeiro de 2025.

Foto: Arte criada digitalmente

Pela cotação atual do euro, isso representa algo entre R$ 47,7 milhões e R$ 77,2 milhões por ano, dependendo da metodologia. Em português claro: mesmo sem taxa de transferência, seria uma operação de elite para qualquer clube sul-americano.

O que o recorde de público paga dessa conta

É aqui que o borderô entra de verdade na conversa. A renda bruta de R$ 5,896 milhões equivale a cerca de 12,4% de um salário anual de € 8 milhões — ou a aproximadamente 7,6% da projeção bruta mais alta. Seriam necessários algo como oito jogos com arrecadação idêntica para cobrir a conta menor, ou pouco mais de 13 jogos iguais para cobrir a projeção mais alta. E isso sem contar luvas, comissão e o fato de que a renda divulgada é bruta, não líquida.

Onde a bilheteria realmente faz diferença

O faturamento de estádio não “compra” Dybala sozinho, mas fortalece o ambiente financeiro para uma operação desse porte. O Flamengo é um dos poucos clubes do continente que transforma jogo grande em receita recorrente de milhões — e isso pesa quando a discussão deixa de ser taxa de transferência e passa a ser pacote salarial.

Se Dybala chegasse livre após junho, o clube não precisaria investir os cerca de R$ 30 milhões equivalentes ao valor de mercado atual e concentraria fogo no salário e nas luvas. É aí que bilheteria forte, premiações e caixa operacional começam a fazer diferença real.

Ainda assim, a operação continuaria sendo de alto risco e alto impacto. O recorde do Maracanã prova que o Flamengo tem musculatura para entrar em conversas grandes. O que ele não prova, sozinho, é que um nome do tamanho de Dybala cabe sem uma engenharia financeira pesada.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.