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Flamengo: Gerson envolve o Cruzeiro em briga de R$ 42 milhões

A briga entre Gerson e o Flamengo ganhou um tom muito mais pesado. Na defesa apresentada no processo em que o clube cobra R$ 42,7 milhões, o meio-campista afirmou que virou alvo de má-fé, sede de vingança e violação de direitos trabalhistas. O ponto mais forte da peça é a tese de que a cobrança só surgiu depois que ele voltou ao Brasil para jogar no Cruzeiro — movimento que, segundo os advogados, teria irritado a atual gestão rubro-negra.

O que Gerson alega na defesa

A defesa sustenta que o contrato foi encerrado com o cumprimento integral da cláusula de saída para o Zenit e que, por isso, não caberia multa adicional. Os advogados afirmam que o item 6.2 do acordo afasta essa cobrança quando a cláusula indenizatória é paga integralmente. Também pedem a extinção do processo e alegam que Gerson deixou de receber R$ 6,3 milhões em luvas ao aceitar a engenharia da saída para a Rússia.

Foi nesse contexto que apareceu a acusação mais explosiva. Na petição, os representantes do jogador dizem que ele descobriu estar sendo vítima de uma “sede de vingança” do atual presidente do Flamengo por ter sido repatriado justamente pelo Cruzeiro. A defesa ainda tenta ligar esse ambiente à nova configuração do clube mineiro, hoje com Bruno Spindel na diretoria de futebol. Até a publicação da nova etapa do caso, o Flamengo ainda não havia se manifestado sobre essa contestação específica.

O que o Flamengo cobra

Do lado rubro-negro, a tese é outra. A ação foi ajuizada em janeiro e se baseia no contrato de direitos de imagem firmado na renovação assinada em abril de 2025. Pelo entendimento do clube, a saída para o Zenit configurou rescisão unilateral, o que acionaria uma multa equivalente ao saldo restante do vínculo de imagem. Com juros e correções, a cobrança chegou a R$ 42,7 milhões.

Adriano Fontes / CRF

Esse conflito não nasceu agora. Nos bastidores, o Flamengo já tratava a cláusula como proteção desde a negociação com o clube russo, e a comunicação feita na saída do jogador usou a expressão “pedido de demissão e rescisão unilateral”. A defesa de Gerson, por outro lado, tenta mostrar que o caminho foi construído com ciência interna e até com orientação do próprio clube na parte burocrática. É aí que a disputa realmente se concentra.

Onde o Cruzeiro entra nessa guerra

O Cruzeiro aparece como pano de fundo político e econômico do caso. Gerson voltou ao futebol brasileiro no início de 2026 em uma operação de 27 milhões de euros (cerca de R$ 162 milhões), mais 3 milhões de euros (cerca de R$ 18 milhões) em bônus, depois de apenas um semestre no Zenit.

Para o Cruzeiro, o tema é delicado: o clube contratou um dos jogadores mais importantes do país, mas acabou se tornando personagem involuntário de uma guerra judicial entre o meio-campista e seu ex-clube. A Raposa não é parte do processo, mas seu nome aparece como estopim da disputa — o que coloca a contratação sob holofote além do campo.

A defesa usa esse retorno à Raposa como peça central da narrativa de perseguição. O Flamengo, por sua vez, trata o tema como simples execução contratual. No fim, o processo deixou de ser apenas uma cobrança civil e virou uma guerra de versões entre duas das camisas mais pesadas do futebol brasileiro — com Gerson no meio e o futuro da relação com os dois clubes em aberto.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.