Paulo Dybala voltou a ser ligado ao Flamengo, mas a parte mais sólida do cenário aponta para uma concorrência pesada com o Boca Juniors. O clube argentino mantém conversas frequentes com o staff do jogador para tê-lo sem custos no segundo semestre, enquanto o vínculo com a Roma vai apenas até 30 de junho de 2026. Em paralelo, a Roma ainda tenta uma renovação em bases menores, com redução salarial.
O que muda no tamanho do negócio
Dybala não aparece como operação de compra tradicional. Com valor de mercado de 5 milhões de euros e contrato perto do fim, o peso maior da negociação está menos em taxa de transferência e mais em salário, luvas e projeto esportivo. Para o Flamengo, isso pode transformar um nome caro em oportunidade de mercado. Para o Boca, vira chance rara de repatriar um astro sem pagar valor cheio por transferência.
Onde Dybala caberia no time de Leonardo Jardim
Tecnicamente, Dybala encaixa mais por dentro do que aberto. Canhoto, com boa pausa, passe curto fino e ótimo chute de média distância, renderia melhor partindo do lado direito para dentro ou jogando atrás de Pedro. É menos um ponta de profundidade e mais um articulador de último terço — daqueles que aceleram a jogada com toque, tabela e finalização.
No modelo atual de Leonardo Jardim, isso cria um encaixe interessante, mas não automático. Dybala poderia ocupar o espaço híbrido entre meia e atacante hoje ocupado por Arrascaeta, funcionando como criador que aproxima o time do gol. O ganho técnico seria enorme. O risco está no equilíbrio: usar Dybala e Arrascaeta juntos exigiria um Flamengo mais protegido fisicamente ao redor dos dois.
O que o Boca Juniors tem de mais forte hoje

O Boca Juniors parece levar vantagem no componente emocional e no timing. Os relatos mais consistentes indicam contatos frequentes com o entorno do jogador, além do apelo de um retorno ao país natal em ano de reta final de ciclo para a Copa. Para o Flamengo, a sedução passaria mais por competitividade continental, poder financeiro e elenco mais pronto para disputar títulos grandes no curto prazo.
Há um detalhe relevante: a leitura pública sobre o lado rubro-negro ainda é mais de especulação de mercado do que de negociação aberta e robusta. Hoje, a história parece menos “Flamengo muito perto” e mais “Flamengo como possibilidade de alto impacto, se decidir entrar de verdade”. O Boca, neste momento, parece estar alguns passos à frente no movimento concreto.
Vale a pena para o Flamengo?
Em campo, sim. Dybala daria repertório, último passe e talento raro nas entrelinhas. Poderia elevar o teto criativo do time e oferecer solução para jogos mais travados, especialmente ao lado de Pedro. Mas a operação só faz sentido se o Flamengo enxergar nele um titular de peso — não apenas um nome de mercado.
Jardim parece estar montando uma equipe de mais controle e coordenação coletiva, e Dybala funciona melhor quando o sistema já está organizado ao redor dele.