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Paquetá joga pelo ‘tudo ou nada’ no Flamengo e Filipe Luís faz cobrança

Lucas Paquetá não voltou ao Flamengo para ser apenas mais um no elenco. Ele voltou com o status de contratação mais cara da história e com a missão de decidir títulos. E a primeira grande “final” desse novo ciclo acontece nesta quarta-feira (26), às 21h30, no Maracanã.

Após a derrota por 1 a 0 para o Lanús na Argentina, o cenário da Recopa Sul-Americana é cruel e simples: o Rubro-Negro precisa vencer por dois gols de diferença para levantar a taça no tempo normal (ou por um gol para levar aos pênaltis). Nesse roteiro de urgência, a torcida olha para o camisa 20 esperando que a mágica finalmente aconteça.

A discussão na Gávea não é sobre o talento de Paquetá, mas sobre o encaixe. Na ida, vimos um meia participativo na circulação de bola, mas pouco agressivo na área adversária (muitos passes de lado, pouca finalização).

Filipe Luís foi direto ao ponto: Paquetá depende do coletivo. O treinador entende que o craque só vai brilhar quando o time oferecer profundidade. Sem alguém agredindo as costas da defesa do Lanús, o meia fica encaixotado na marcação e vira um passador burocrático. Para a “remontada” no Maracanã, o time precisa parar de tocar de lado e começar a machucar por dentro.

O Que Precisa Mudar na Quarta-Feira

FOTOS: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

Para justificar o investimento milionário e o status de ídolo, Paquetá precisa destravar três movimentos no jogo de volta:

  1. Acelerar o Pensamento: O Lanús vai picotar o jogo e usar o relógio. Paquetá precisa ser o homem do “passe que quebra a linha”, e não do toque de segurança.
  2. Pisar na Área: O Flamengo precisa de gente chegando para finalizar. O Paquetá da Seleção é aquele que entra na área como elemento surpresa, e é disso que o time precisa para furar a retranca argentina.
  3. A Bola Parada: Em mata-mata truncado, um escanteio ou falta lateral decide campeonato. O camisa 20 tem que assumir essa responsabilidade.

O Peso do Jogo 100 no Flamengo

Há um simbolismo extra: somando a primeira passagem com o retorno, Paquetá completou a marca de 100 jogos pelo clube. Mas a torcida não quer festa, quer taça. O torcedor rubro-negro não tem paciência para “tempo de adaptação” em semana de final continental. A cobrança é imediata. Se o Flamengo virar o jogo com ele regendo o meio-campo, a lua de mel recomeça. Se o time for apático novamente, a narrativa do “ainda não valeu o que custou” vai ganhar força perigosa.

Decisão continental não perdoa time que joga “bonito” mas não morde. O Flamengo pode ter 80% de posse de bola no Maracanã, mas se não for agressivo, vai entregar a taça para o Lanús.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de anos acompanha de perto o futebol nacional.