A negociação que poderia levar o volante Allan do Rio de Janeiro para São Paulo esfriou de vez nesta terça-feira (3). O Corinthians decidiu recuar e “puxar o freio de mão” nas conversas após o Flamengo fazer uma exigência financeira para liberar o jogador por empréstimo. O Timão queria o atleta “de graça” (pagando apenas salários), mas o Rubro-Negro avisou: quer receber uma taxa de liberação. Diante da cobrança, a diretoria alvinegra, fiel à política de contenção de gastos desta janela, encerrou as tratativas momentaneamente.
O Muro da “Taxa de Vitrine” no Corinthians
O Corinthians foi claro: a ordem é fechar elenco com custo zero de transferência.
- A Regra: O clube só abriu exceção recentemente para Matheus Pereira (emprestado do Fortaleza por R$ 1,8 milhão com abate futuro).
- O Bloqueio: Para Allan, o Corinthians não aceita pagar taxa. O Flamengo, por sua vez, se recusa a liberar um ativo valioso de graça para um rival direto.
Por que o Flamengo não libera?
O Rubro-Negro trata Allan como investimento, não como descarte. O clube pagou R$ 43 milhões (€ 8,2 milhões) em 2023 para tirá-lo do Atlético-MG. Emprestar sem custo passaria a mensagem de que o clube está “liquidando” o elenco ou doando reforço. A taxa serve para proteger o ativo e evitar que outros clubes peçam jogadores do Flamengo com a mesma facilidade.

Ao mesmo tempo o jogador não vem sendo aproveitado como poderia, com uma queda de rendimento e falta de oportunidades. Desta forma, é mais interessante para o próprio Allan ser emprestado do que pra ele próprio.
Dorival Quer, Mas Não Leva
Quem sofre com o impasse é Dorival Júnior. O treinador vê carência no setor e pediu um volante para disputar posição com Raniele. Hoje, o elenco conta com André Luiz, Breno Bidon e Carrillo, mas a comissão técnica entende que falta uma peça de combate e experiência. Allan, que jogou apenas 45 minutos em 2026 pelo Fla, seria esse nome, mas a chave do cofre do Parque São Jorge continuou fechada.
Essa novela é o retrato do mercado brasileiro em 2026. O Corinthians, com a corda no pescoço financeiro, virou refém do “só entra se for custo zero”. O Flamengo, dono do cofre cheio, não tem motivo para fazer caridade para rival.
O impasse é lógico: o Fla não quer desvalorizar um ativo de R$ 43 milhões emprestando de graça; o Timão não tem (ou não quer gastar) dinheiro para pagar aluguel de jogador. No meio disso, Allan fica no limbo: caro demais para ser reserva na Gávea, caro demais para ser titular em Itaquera. A menos que alguém ceda, Dorival vai ter que se virar com a base, e Allan vai continuar assistindo aos jogos do banco de reservas.